sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Jararaca, os “moleques do MP” e os intelequituais


Quiuspariu! “Intelequituais” é o cacete!

Dizer que essa corja de puxa-sacos que aplaude o vomitório de uma azêmola usa o intelecto para alguma coisa além de armazenar esterco é sacanagem!

Ao fundo vê-se o mais novo papagaio de pirata de Lula, Osmar Prado, que substitui honrosamente Zé de Abreu.

“Calourxs, sejam bem viados”


Não, eu não escrevi errado e nem a faixa da foto está errada. Foi isso mesmo que o Colorir-FEBF (Faculdade de Educação da Baixada Fluminense), formado por alguns “alunxs” da UERJ, quis dizer. Com cerca de 15 integrantes, o grupo, formado por gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, “enfatiza como o trabalho com os calouros é importante. No início de cada curso, para melhor acolher os alunos do primeiro período, é realizada uma recepção de boa vindas, que conta com oficinas e debates sobre gênero, aceitação e sexualidade”.

“Se unir para ficar mais forte” é o seu lema, assim mesmo, com a frase começando com pronome oblíquo.

Além de viados, burros.

Fundo do poço é pouco...


Entre milhões delas, eis 14 razões para você desancar os políticos brasileiros

Spotlink

1) 58 em cada 100 projetos aprovados na câmara municipal de SP se referem a mudanças de nomes de ruas ou datas comemorativas. Custo pelo serviço: R$ 180 mil por vereador.

Você provavelmente dedicou algum tempo a escolher o melhor nome e fazer bonito nas eleições municipais de 2016. Teve de encarar inúmeros candidatos nada convincentes e perceber que, de todos ali, boa parte não faz idéia do que um vereador faz na prática.

É uma situação bastante comum. Boa parte da população ainda tem dificuldades em apontar qual é a tarefa de cada um na política brasileira. Fiscalizar o prefeito, aprovar leis e toda a decoreba que as campanhas do Tribunal Superior Eleitoral ensinam é até conhecida, mas e no dia a dia? O que de fato fazem os vereadores pelo Brasil?

Se o assunto for a Câmara Municipal de São Paulo, a resposta é fácil: vereadores definem datas comemorativas e nomes de ruas, em ao menos metade do seu tempo. Apesar do volume recorde de projetos aprovados nos últimos anos, boa parte deles (58%) pode ser resumida nestes dois itens. Entre os exemplos, encontramos a criação de dias para comemorar a profissão de motoboy e definir o nome mais adequado para o elevado Costa e Silva.

A Câmara de Vereadores paulista custa anualmente mais de meio bilhão para a cidade.

2) Os R$ 5 milhões que o Senado pagou ao Sírio-Libanês, o melhor hospital privado do país.

A discussão sobre o impacto do ajuste fiscal proposto pelo governo para a saúde ainda se desenrola no Congresso. Medir os efeitos sobre saúde e educação ao longo dos anos tornou-se ponto central na discussão, a despeito da participação de ambos no orçamento total.

Para os senadores, no entanto, a discussão tem pouca importância. De checkups a internações mais sérias, o Senado coloca à inteira disposição de seus membros e dependentes (parentes de primeiro grau) o melhor hospital do país.

Em 2013, entre janeiro e julho, a conta chegou aos R$ 5,1 milhões. Tudo isso para atender servidores, senadores, filhos, cônjuges e até ex-senadores.

3) O presidente que se aposentou aos 55 anos e recebe 6 vezes mais do que o teto do INSS.

Enviada ao Congresso esta semana, a reforma da previdência promete resolver um problema grave de descontrole dos gastos na área. Porém, a forma como isto deve ser feito ainda levanta discussões.

Para resolver um problema atuarial, ou seja, para garantir que haverá recursos para bancar as aposentadorias e pensões no futuro, o governo espera elevar para até 67 anos a idade mínima para aposentadoria. Na prática, você irá se aposentar com no mínimo 67 anos, recebendo uma base de 51% da média das suas contribuições, e 1% a mais para cada ano de contribuição. Para receber 100% por exemplo, teria que contribuir por 49 anos.

A severidade da reforma se dá em boa parte pelos excessos concedidos no passado, segundo a justificativa oficial. Para entender estes excessos, basta dar uma olhada no caso do próprio Presidente da República.

Com 55 anos, portanto 21 anos atrás, Michel Temer se aposentou como Procurador do Estado de São Paulo, ganhando R$ 30 mil mensais.

Por não se tratar de um contribuinte do INSS, Temer pode receber o salário integral, benefício concedido ao funcionalismo público que ingressou no cargo antes de 1998.

Foram, portanto, 30 anos contribuindo com 11% de seu salário, para passar, até aqui, 21 anos recebendo 100% do salário de aposentadoria. Como você já percebeu, a conta não fecha e quem paga a diferença é você.

4) Os R$ 2 bilhões gastos com aposentadorias e pensões de ex-congressistas.

O IPC, o Instituto de Previdência do Congresso, já não existe há pelo menos 17 anos. Seu custo, porém, continua pesando no orçamento do Congresso. Manter os pouco mais de 1,1 mil políticos e servidores aposentados, ou as pensões para os cônjuges e dependentes, gera um custo de R$ 164 milhões anuais.

Ao contrário do cidadão comum, que contribui por 30 anos ao INSS para receber sua aposentadoria, é possível, ainda hoje, que um congressista passe 8 anos no cargo para se aposentar. Basta que tenha mais de 50 anos.

O custo médio por cada pensão chega a ser 7,5 vezes maior que a média paga pelo INSS, beirando os R$ 14 mil mensais para cada um dos beneficiários.

5) Os R$ 252 milhões gastos por legislatura apenas para ajudar deputados e senadores a comprarem ternos.

Muito além de um 13º salário, congressistas esbanjam generosidade entre si, estendendo a todos os parlamentares o direito ao chamado auxílio-paletó, uma espécie de 14º e 15º salários, justificados da maneira mais curiosa possível: garantir que os deputados e senadores possam comprar ternos por ano para exercerem de maneira adequada sua atividade profissional.

Levando ao pé da letra, como mostra o site Congresso em Foco, seria possível comprar 126,250 ternos de R$ 2 mil. Divida o valor pelos 594 congressistas brasileiros (513 deputados e 81 senadores) e a conta chega a impressionantes 212 ternos para cada um.

Seria possível que cada membro do Congresso Nacional usasse um terno de R$ 2 mil por sessão e em seguida nunca mais o utilizasse, tudo sem custo pessoal algum.

Nas contas do Congresso em Foco, a utilização dos valores ganha outro significado: 4,7 mil casas populares construídas todos os anos ou 17 mil núcleos familiares que sairiam da extrema pobreza se nosso deputados e senadores decidissem pagar pela própria roupa.

Em maio de 2012, sob protestos e denúncias de abusos na verba, o Congresso aprovou a extinção do benefício criado em 1943.

A sessão que aprovou o fim da regalia foi marcada por discursos emocionantes, como o do deputado que lamentava ter de sobreviver com um salário líquido de R$ 19 mil.

6) Os R$ 4,2 milhões anuais que os 24 membros do legislativo do DF gastam por ano mandando cartas.

Qual é o seu e-mail? Ou melhor, qual é o seu Face? Fazer estas perguntas na Câmara Legislativa do Distrito Federal pode ser um pouco confuso.

Uma vez que boa parte da população brasileira deixou para trás o romantismo das cartas enviadas por correio – exceto se você for um prisioneiro jogando xadrez por correspondência -, os gastos dos deputados distritais com cartas podem soar um pouco estranhos.

Em tese, cada um dos 24 deputados pode gastar R$ 175 mil anuais apenas enviando cartas para informar a população. Tudo isso por um custo semelhante ao de contratar 107 professores pagando a cada um o piso nacional da educação.

O valor permite ainda que os deputados gastem os recursos com gráficas para realizar a divulgação, basta solicitar um comprovante justificando o gasto.

7) Os deputados do Maranhão que recebiam 18 salários por ano, e agora têm que se contentar com apenas 15.

É provável que você já tenha se deparado com alguma mentira sobre a votação no Congresso para acabar com o 13º salário. “Congressistas se reúnem para acabar com os direitos dos trabalhadores!”, diz a imagem, seguida de um textão explicando como o partido A ou B estaria tramando contra você.

Um pouco menos trágica foi a notícia recebida pelos deputados do Maranhão, de que receber 18 salários anuais estava onerando demais a assembleia e provocando reações controversas. Em 2012, a assembleia legislativa decidiu que este número era de fato absurdo. Corrigiu o erro. Nada mais de 18 salários por ano, e sim 15!

Durante a votação, que ocorreu 3 dias após uma reportagem denunciar o ocorrido, um dos deputados tomou a palavra e decidiu fazer um protesto, segundo ele,  “contra as gangues que querem desmoralizar o Parlamento brasileiro e, especialmente, a Assembleia Legislativa do Maranhão”. Para outros deputados, a reportagem foi feita com o claro intuito de indispor o legislativo com a sociedade.

Apesar dos protestos, os 18 salários de R$ 20 mil (valor da época), foram corrigidos para 15. A verba de R$ 50 mil mensais em indenizações diversas, porém, foi mantida.

8) Os R$ 46,8 milhões anuais para bancar aposentadorias de 157 ex-governadores, após 4 ou 8 anos de trabalho.

Imagine passar 4 anos trabalhando em um emprego que lhe garante renda suficiente para estar entre os 0,5% mais ricos do país e, ao final deste período, receber aposentadoria para toda a vida. Este emprego dos sonhos existe, em inúmeros estados brasileiros onde a aposentadoria para ex-governadores não foi extinta.

Por ano, o valor equivalente ao de cerca de mil moradias populares é despendido por estados como o Rio Grande do Sul – um total de R$ 46,8 milhões em aposentadorias.

Em Estados como o Maranhão, ex-governadores e viúvas que recebem a regalia podem contar ainda com veículos oficiais e assessores, também bancados pela União.

9) O plano de saúde dos senadores que custa R$ 25.998 por ano, ou 52 vezes o gasto médio com cada cidadão no SUS.

Nada menos do que 1,5 milhão de brasileiros tiveram de abandonar planos de saúde nos últimos meses por conta da queda na renda ou o desemprego ocasionado pela crise que o país atravessa.

Em Brasília, onde o orçamento federal para a saúde – que atenderá esta demanda crescente – é discutido, a situação é bastante distinta. Um plano de saúde que atende à família inteira, com médico e dentista à disposição.

Apenas com o tratamento dentário de dois senadores, José Agripino e Pedro Simon, o Senado desembolsou nada menos do que R$ 134 mil.

Cerca de R$ 5,1 mil foram gastos ainda com aplicação de botox pelo ex-senador Milton Cabral e sua esposa, Miriam. O motivo? Ele foi senador em 1986 e o plano de saúde do Senado é vitalício e estendido a parentes.

A farra ocorre livremente, já que nenhuma auditoria é de fato responsável pelo plano de saúde do Senado.

Na ponta do lápis, cada senador custa em média 52 vezes mais do que os recursos gastos pelo SUS com cada brasileiro.

10) Os 10 dias de folga do Congresso, que custaram R$ 20 milhões, para comemorar as festas juninas.

Que tal aproveitar um feriado numa quarta-feira de São João e pular a fogueira, subir o pau de sebo, comer maçã do amor e formar a sua quadrilha? Para os deputados, a idéia pareceu tentadora. Só tem um pequeno problema: o Congresso funciona de terça a quinta, já que na sexta os congressistas precisam ir para casa e na segunda estão cansados voltando de viagem. Como resolver este empecilho?

Para o ex-presidente da Câmara, Waldir Maranhão, a solução foi simples: criou-se um feriadão, que se estende por 10 dias.

A parada, não programada e que não descontará os dias de férias a que os deputados têm direito, representa nada menos do que R$ 20 milhões a mais em gastos para manter o Congresso funcionando, ainda que nada tenha sido aprovado.

11) A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde 80% das leis aprovadas são inconstitucionais.

A praça de guerra em que se transformou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro nos últimos dias tinha um objetivo claro: barrar qualquer tentativa de aprovar as leis enviadas pelo governo para fazer um ajuste fiscal.

Uma pessoa mais observadora, porém, poderia ter feito uma outra sugestão: deixe que os deputados votem o que acham que devem votar e em seguida tudo se resolve. Se o padrão da assembleia for mantido, 80% do que for votado não tem validade, já que vai contra a Constituição do Estado e a Constituição Brasileira.

Dentre as leis, há aquela cujo objetivo é proibir a abertura de lan houses a menos de 1 km de escolas, ou outra que torna obrigatória a existência de times femininos jogando preliminares das rodadas decisivas do campeonato estadual.

Das leis consideradas constitucionais, há ainda algumas de relevância duvidosa, como as que declaram a utilidade pública de entidades como ONGs ou outras associações.

Apesar de serem vetadas pelo governo, as leis acabam tendo o veto derrubado e passam a ser julgadas pelo TJ-RJ, obrigando o tribunal a arbitrar a briga entre executivo e legislativo.

12) Os R$ 696 mil gastos pelo senado para comprar iPhones.

Cumprir bem a função de parlamentar requer certos sacrifícios por parte de certas pessoas. Se dispor a viajar ao menos duas vezes por semana para Brasília, sobreviver com 40 salários mínimos, ou ainda ser proibido pela imprensa fiscalizadora de levar a esposa em viagens pagas pelo Congresso.

Apesar de tudo, certos mimos provavelmente compensam. Para prestar um bom serviço, por exemplo, o Senado Federal garante a cada um dos seus membros um celular de última geração. Mais especificamente, um iPhone.

A casa possui um contrato de telefonia que garante o fornecimento de celulares, além de ligações ilimitadas. No entanto, os 360 iPhones novos – ao custo de R$ 696 mil – devem ser utilizados pelos senadores que por qualquer razão não se sentirem confortáveis em utilizar os celulares garantidos pela operadora.

13) Os professores do Rio Grande do Sul que recebem o salário em 3 vezes, enquanto deputados recebem em dia.

A crise fiscal que assola o Rio Grande do Sul tem uma origem longínqua. Nos últimos 45 anos, por exemplo, o governo gaúcho gastou menos do que arrecadou em apenas 3 deles. Como consequência, nenhum estado do país tem uma situação previdenciária tão complicada e uma dívida tão alta.

Apenas para bancar o déficit da previdência, o governo do estado gasta mais do que toda a verba de saúde, educação e os investimentos em segurança. São nada menos do que 1,3 aposentados para cada trabalhador na ativa.

Manter os salários em dia, portanto, é um desafio para qualquer governador. Nada menos do que 70,3% dos recursos detidos pelo Estado são destinados a pagar salários.

O resultado é que, diante de um déficit que chegou próximo aos R$ 5 bilhões em 2015 (valor semelhante ao gasto com saúde), o governo do estado encontrou uma alternativa: pagar os salários do executivo em 4 vezes. Toda semana os servidores gaúchos veem pingar nas suas contas parcelas de R$ 350, R$ 800, ou R$ 1350 no último mês, que foi considerado recorde.

Nada disso, porém, diz respeito ao legislativo. Deputados gaúchos, como quaisquer deputados e membros do judiciário pelo Brasil, têm seu orçamento devidamente separado. Tudo isso porque o orçamento de cada um dos três poderes é constitucionalmente distinto, para garantir que nenhum deles possam interferir na atividade do outro.

O resultado prático é que, mesmo ganhando cerca de 20 vezes mais que um professor ou policial, os deputados gaúchos conseguem receber seus salários em dia, sem maiores problemas.

14) A assembléia do RS que gasta 10 vezes mais com combustível do que a Polícia Militar.

A tradicional Brigada Militar gaúcha é uma das instituições mais respeitadas do estado. Desde a sua criação em 1837, a Brigada, como ficou conhecida a partir de 1892, já participou de nada menos do que 6 revoluções e revoltas no Brasil, como a Revolução Federalista, uma guerra civil que ocasionou 10 mil baixas entre civis e militares, e a revolução de 1923, além de conflitos como aqueles que dividiram o Brasil em 1932 (na revolução constitucionalista, o 9 de julho paulista).

Apesar de uma história respeitável, o peso e a importância da instituição parecem ter diminuído drasticamente nos últimos tempos. Em um estado que sofre hoje uma epidemia de violência, o orçamento da Brigada é afetado por diversos cortes.

Em 2014, cada um dos 129 veículos de parlamentares gastou em média R$ 35 mil, ou 10 vezes mais do que cada uma das viaturas da brigada militar.

O ex-presidente da assembleia, Edson Brum, não vê nada de errado. Os carros da Brigada circulam em velocidade reduzida, dentro da cidade apenas. Isso, segundo ele, representaria uma economia de combustível.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Não é só aqui na América Latina que há idiotas


República do Acre

A Comissão Diretora do Senado atualmente é composta pelo presidente, primeiro e segundo vice-presidentes, quatro secretários e três suplentes (originalmente são quatro). Ou seja, são dez senadores.

Nessa turma, o Acre – pasmem – tem três senadores, Roraima dois, Alagoas, Tocantins, Piauí e Maranhão, um cada. Cabe a Minas Gerais a única vaguinha mais ao Sul.

Alguém explica qual a razão de, entre esses dez, nove representarem estados do Norte-Nordeste?


Pizza à moda STF: já vem fatiada, ou, o Jogo de Todos os Erros

Toffoli inova no Supremo e pede vista na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) movida pela Rede que questiona se um réu em ação penal pode ocupar cargo que o coloque na linha sucessória da Presidência da República depois do processo ter obtido seis votos favoráveis dos ministros (maioria absoluta). Na prática, a medida já estava aprovada, mas, em teoria, não: a vista impediu a conclusão protocolar.

Marco Aurélio Mello faz valer sua prerrogativa de ministro, monocraticamente concede liminar à Rede e tira (ou tenta tirar) Renan da presidência do Senado baseado na “prática”. Precipitou-se – deveria ter submetido sua decisão sobre a aplicação da ADPF aos colegas.

Renan foge do oficial de Justiça munido da liminar como o diabo foge da cruz, bate o pé e fica na presidência do Senado, apoiado pela Comissão Diretora, composta pelo Presidente, Primeiro e Segundo Vice-Presidentes e quatro Secretários. Sete senadores entre os quais, não sei porque cargas d’água, seis são do Norte-Nordeste: dois de Roraima, dois do Acre, um de Alagoas e um de Tocantins - o outro é de Minas. Com um detalhe: os três suplentes são do Piauí, Maranhão e Acre, de novo.

A crise se instaura. Temer se junta a Sarney e Fernando Henrique na calada da noite para pressionar o SFT, que, em reunião de emergência no dia seguinte, faz picadinho da Constituição, depois defeca em cima, ao decidir que o cara fica na presidência do Senado, mas não na linha sucessória da Presidência da República.

Um verdadeiro circo de horrores. Uma vergonha. Nesse imbroglio não há um que preste. E o cangaceiro, mais uma vez, triunfou.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O que é que eu faço com um animal desses? Aceito sugestões.

Desculpem, amigos, mas uma azêmola me tirou do sério. Vejam só o poema de imbecilidade explícita em que o filho da puta confunde “homonia” com harmonia e continua sem saber ler porque eu falei homonímia - e “homonia” não existe -, diz que “analfabetismo funcional não tem nadica de nada ‘haver’ com confundir palavra” – o dele não é funcional, é absoluto) e me promove a jornalista, entre tudo o mais, que é absolutamente ininteligível.

E ainda se arvora em querer me dar lições variadas. É mole?

Eu sei que o assunto está ficando chato, que eu deveria simplesmente apagar essas aberrações e não dar mais bola para escrotos como o que cometeu a “coisa” que reproduzo abaixo, mas como o meu “casamento” com o TMU tem mais de dez anos e é na riqueza e na pobreza, na doença e na saúde, para amar e honrar, até que a morte nos separe, voici la grosse merde.

Anônimo Anônimo disse...
Ricardinho presta atenção numa coisinha:

1) Vc sabia que nem todos os "Anônimos" que estão postando nesta página são os mesmos??? váaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarias eu disse váaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarias pessoas que entram no seu blog podem escolher no "Responder como" qual o tipo de ID irá aparecer.... se quer o nomezinho ou um ID anonimo mesmo. VAI ESTUDAR MAIS DE TECNOLOGIA VAI FILHINHO ou volta a usar uma coisa mais do seu tempo, tipo máquina de escrever sabe? aquelas de 1900 e antigamente kkkkkkkk

Sugiro a voce se não quiser continuar debatendo com anonimos como se TODOS FOSSEM A MESMA PESSOA vá em configurações e desative a opção do "responder como" obrigando ao usuário se identificar.... mas olha não apague o comentário, responda a altura na compostura e sem mandar seus potenciais leitores irem tomar no c*** ok?! sei que que para um acefalo é mais fácil xingar qdo é contrariado do que mostrar que sabe se expressar. Jornalistas tem que ser mais intelectuais sabia? vc tá passando veronha.

2) O comentário de 7 de Dezembro as 16:47 sim é meu! dos demais anônimos NÃO! LOGO RESPONDEREI SUA PERGUNTA com relação a ESTE COMENTÁRIO!! OK?!. EU NÃO tenho religião, logo não posso responder pelos outros ok?! PARA MINHA PESSOAS MITOLOGIA É MITOLOGIA! SE TEM ANÔNIMO MISTURANDO AS ESTAÇÕES DE RELIGIÃO COM MITOLOGIA VAI ACERTAR TUAS CONTAS COM ELE! EU GRAÇAS A DEUS ESTUDEI tenho senso critico apuraderrimo pras coisas, não misturo melado com melancolia, sei ler e interpretar contextos, tenho coesão e coerência pra falar! sei reconhecer quando erro e não me revolto e mando os outros irem tomar no c* simplesmente porque discordam de mim. NÃO PRECISO DISSO, MEU PODER DE PERSUASÃO E FEDERAL! convenço quem eu quero e SEMPRE que eu quero!!! entendeu?!!

3) Já que te respondi que não tenho religiao e não posso te responder por terceiros, diferentemente de vc -ainda bem!!- sou humilde de reconhecer que confundi, homonia com harmonia, mas quero que saiba que analfabetismo funcional NÃO TEM NADICA DE NADA haver com confundir palavra e sim ler sem interpretar CONTEXTOS que é o que vc não faz!

e QUARTO!!! porém não menos importante apenas pra fechar a sua indagação, (eu já respondi lá em cima mas vai que vc leu e não prestou atenção né rsrsrs) NÃO TENHO RELIGIÃO! aprenda a responder os comentários OLHANDO OS HORÁRIOS (olha as dicas valiosas que to lhe dando) e as datas das postagens, nem todos os anônimos são os mesmos kkkkkk volta pra máquina de escreverkkkkk que vc vai parar de pagar mico!kkkkk

e outra (VOU REPETIR!!! pq vc leu e não interpretou, ou seja, não prestou atenção isto é analfabetismo funcional) NÃO ADIANTA POR NOME... há uns dias atrás vc apagou dois comentários que estavam identificados com NOME e SOBRENOME não lembro o nomE da pessoa agora, mas lembro que a mesma fez louváveis observações contraditórias ao seu post, e vc mandou a mulher ir tomar no c***! que aspirante a jornalista trabalhando com o público (deveria estar mais preparado pra isto) é vc que manda seus leitores irem tomar no c**? ao invés de debater a altura, mostrar um cadinho só do seu lado intelecto? se é que tem né! kkkk pq até agora todos que vem contra a vc vc manda ir tomar no c*. em fim espero ter tirado suas dúvidas, mas qualquer coisa estamos aí...
quando nós acreditamos em Deus,Jesus,Espirito Santo precisamos acreditar no demônio que é o pai da mentira.Por-isso nunca ouça ou viagem em demoníaco. A sua vida e o seu espirito esta em jogo.


Apóstolos brasileiros: Estaria Jesus bem assessorado?


Você já imaginou se Jesus viesse hoje para o Brasil, que tipo de apóstolos Ele encontraria? Abaixo segue uma lista selecionada de doze apóstolos tupiniquins. Dentre eles há heróis, vilões e empresários; veja o perfil e história de cada um!

Apóstolo Miguel Ângelo
O fundador da igreja Cristo Vive foi o pioneiro da idéia apostólica no Brasil. Angolano, iniciou seu ministério com o canadense McAllister na Nova Vida. Atualmente tem 39 diplomas de nível superior em seu currículo e a igreja a qual dirige na zona oeste do Rio de Janeiro conta com mais de 56 mil membros, com igrejas até em Portugal. Na convenção internacional da qual faz parte, ele é o apóstolo das nações de lingua portuguesa. Sem dúvida, um dos mais bem sucedidos “apóstolos” dessa lista.

Apóstolo Estevam Hernandes
Esse se tornou símbolo da situação caótica que se encontra o evangelho no Brasil. Estevam e sua esposa, bispa Sônia, saíram de sua antiga denominação (Igreja Cristã Pentecostal do Brasil) e começaram a organizar reuniões informais com famílias amigas, o que mais tarde se formou a igreja Renascer, com um canal de rádio (Gospel FM) e um canal de televisão (Rede Gospel). Atualmente ele e a esposa se encontram confinados em sua mansão nos EUA em prisão domiciliar por terem entrado com 56 mil dólares dentro da Bíblia, enquanto só declararam entrar com 10 mil. Isso fora os escândalos e acusações de lavagem de dinheiro aqui no Brasil. Estevam se diz perseguido como o Apóstolo Paulo; porém nem Paulo, nem Jesus, costumava deixar de pagar seus impostos a Roma.

Apóstolo Rina
Rinaldo, batizado na Igreja Batista Ucraniana, começou seu ministério na Renascer em Perdizes e permaneceu até 1999, quando decidiu abrir uma igreja nova. Chamou sua igreja de Bola de Neve por achar que a igreja cresceria muito. Espiritual, né? Enfim, ele acertou. Cresceu em dois anos 1100% com seu marketing voltado para os jovens. Tem métodos pouco ortodoxos de evangelismo, o que vem sendo bastante criticado entre as igrejas tradicionais. Está ainda em plena ascenção e tem arrebanhado multidões com seu apelo jovem e seu púlpito em forma de prancha.

Apóstolo Valdemiro Santiago
Ex-bispo da Universal, Valdemiro fundou a Igreja Mundial do Poder de Deus em 1998 em São Paulo. Se tornou “apóstolo” sob a concordância de bispos e pastores da Igreja Mundial, baseado em II Coríntios 12:12 (Os sinais do meu apostolado foram, de fato, operados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e milagres). Se você acordar cedo poderá ve-lo das 5 às 8 da manhã na Rede TV “fazendo milagres” através de seu suor. Sinceramente, esse tipo de milagre não está na minha lista de “verdades cristãs”.

Apóstolo Doriel de Oliveira
Fundador da Casa da Benção, uma das maiores igrejas do Distrito Federal. Mas o ex-ministro do Brasil para Cristo começou longe, lá em Belo Horizonte. Por durante 5 meses fez seus cultos na praça, até conseguirem um templo. A igreja cresceu tanto que, em 1969, foi alvo até de investigação do DOPS (Departamento de Ordem e Política Social, um extinto órgão repressor do Estado Novo, que torturava pessoas que iam contra o regime), que levou à prisão e tortura de alguns pastores. Com essa perseguição, Doriel se mudou para o DF e lá abriu uma nova sede da Casa da Benção. Hoje tem igrejas espalhadas por diversos países do mundo como Portugal e Japão. Um homem batalhador, diga-se de passagem, mas que precisa ter cuidado com a Teologia praticada atualmente em sua igreja.

Apóstolo Carlo Ribas
Esse paranaense é apóstolo pela Igreja Evangélica Unção e Poder (não me perguntem donde saiu isso). Tem apenas 31 anos, alguns diplomas e hoje tem um ministério como conferencista. É presidente mundial (a mais de dez anos, ou seja, virou presidente com 21!) do Ministério Internacional de Libertação (também não me perguntem donde saiu isso) e é autor de 5 livros como o “Desvendando a Bruxaria”. Pelo título já dá vontade de ler, né não? Não sei de onde ele tirou esses ministérios e o título de apóstolo, mas está fazendo a obra? Então tá bom…

Apóstolo Renê Terra Nova
Esse baiano é o que há de arretado. Se tornou pastor na Primeira Igreja Batista em Recife/PE. Em 1992 foi enviado para Manaus a fim de pastorear uma Igreja Batista de lá. Pouco tempo depois deixou a Batista para fundar a Primeira Igreja Batista da Restauração. Adotou o método G12 como estratégia de evangelismo, fundou e difundiu grandemente a visão celular de igrejas (cada igreja cria células nas casas de seus membros e lá eles fazem seus cultos somente se reunindo todos no templo uma vez por semana). Atualmente sua igreja se tornou no gigante Ministério Internacional da Restauração (em um intervalo de 12 anos, seu ministério cresceu de 160 para 70.000 membros). Tem sido muito criticado por ser judaizante (celebra festas judaicas, por exemplo) e por utilizar a teologia da prosperidade.

Apóstolo Ezequiel Teixeira
Filho de pastor Assembleiano, esse carioca, junto com outros dois pastores, em 1987, começou a fazer pequenos cultos na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro. Não tinham propósito nem de pastorear, nem de criar membros, apenas de fazer o culto independentemente. Porém, a medida que as pessoas iam aceitando a Cristo e indo para igrejas de ideologias diferentes, viram a necessidade de começar a pastorear as pessoas que se convertiam através de seus cultos; nasceu daí em 1989 o Projeto Vida Nova. Essa igreja, com sede na Vila da Penha, no Rio, sempre foi alvo de críticas pelo estilo “show gospel” de seus cultos. O foco, tal como a Bola de Neve, é o público jovem e hoje o auto denominado apóstolo Ezequiel conta com igrejas espalhadas pelo Brasil e Europa, principalmente Portugal. Mas apesar das críticas, nunca ouvi nenhum escândalo vindo desse Projeto.

Apóstolo Sinomar Fernandes
Esse é um dos defensores da causa apostólica. Fundador do Ministério Apostólico Luz Para os Povos, ele começou seu ministério como pastor de uma pequena congregação da Igreja da Paz em Anápolis-GO, com apenas 39 membros. Adotou a visão G12 de evangelismo (ganhar, consolidar, discipular, enviar) e também a visão celular. Hoje, junto com o desenvolvimento gigantesco da cidade, possui cerca de 5.000 membros somente em sua Igreja sede, em Anápolis mesmo. Seu método de ação é o seguinte: existe 12 casais de bispos (Conselho de Bispos), seus discípulos, que controlam e supervisionam todas a igrejas do ministério. Cada bispo discipula outros 12 que supervisionam as igrejas sob seu controle e por aí vai. Ainda está em plena ascenção e o apóstolo, junto com seu Conselho de Bispos, ainda pretende chegar a 100.000 membros somente na sede. Pretensão? Visão divina?

Apóstolo Márcio Valadão
O pastor presidente da Igreja Batista da Lagoinha foi ungido “apóstolo” em 2001. Sua igreja se tornou destaque nacional e internacional com o grupo Diante do Trono, inicialmente encabeçado por seus filhos André Valadão e Ana Paula Valadão. A Igreja, construída em 1957 com o nome original de Sexta Igreja Batista de Belo Horizonte, inicialmente dirigida pelo polêmico e eficaz pastor José Rego, que chegou a ser acusado de herético pelo próprio ministério batista, mas que causou um reboliço que culminou no termo “igreja batista renovada”… a igreja Batista da Lagoinha cresceu numa escala sem proporções. Em 1972 o ainda pastor Márcio assumiu a presidência da igreja e criou inúmeros ministérios, ações sociais, a famosa escola bíblica da Lagoinha e muito mais. Não sei do porquê de ter se tornado apóstolo, mas ainda assim o considero um dos homens mais usados por Deus dessa lista. Se você for visitar a igreja, provavelmente vai encontrá-lo de terno, gravata e descalço; isso é um propósito que ele tem com Deus para se manter humilde diante do crescimento da igreja. Legal né? Legal seria se todos fossem assim.

Apóstolo Sérgio Lopes
Essa é a pérola dessa lista, a maior distorção da palavra “pentecostal”. Formado em teologia pelo Instituto Bíblico Quadrangular, Sérgio começou seu ministério fazendo cultos no Automóvel Club de São Paulo. A medida que cresceu o público ele alugou um pequeno espaço na Rua Quatá, São Paulo, e começou ali, em 1999 a Igreja Comunhão Plena. Essa igreja participa do movimento neo-pentecostal (retété ao invés da Palavra de Deus), realiza campanhas gigantescas como o “Abala São Paulo” e, através de seus programas na rádio Musical FM “profetizam”, “falam em línguas” e tudo o mais. Estive uma vez em um de seus cultos denominado “Busca pelo Espírito Santo”. Eram tantas pessoas dançando, tanta criancice, que precisei me retirar indignado com a falta de respeito à Palavra de Deus. Tudo isso orquestrado pelo apóstolo. Sérgio vive vendo bolas de fogo durante o culto. A verdade é que seu método de apelo sensacionalista e de prosperidade tem arrebanhado multidões e já foi capaz de eleger o Deputado Estadual Lélis Trajano.

Apóstolo César Augusto
Esse jornalista começou seu ministério retirando cerca de 30 meninos de rua e os levando para casa. Sentindo a necessidade de cuidar das pessoas, ele fundou, em 1994, a Igreja Fonte de Vida em Goiânia. Sua igreja hoje conta com mais de 70.000 membros espalhados principalmente pelo estado de Goiás e possui uma rádio e uma TV local. Atualmente conta também com igrejas nos EUA, África e Europa. Cézar, reconhecido como apósto pela Coalizão Internacional de Apóstolos (nem imagino o que seja), virou figura certa na política brasiliense, seu filho foi eleito vereador, e vira e volta você o verá com políticos e pessoas influentes do meio. Ah! Não posso esquecer… o apósto além de escritor também tem 12 cds gravados pelo seu ministério, nos quais ele atua escrevendo algumas músicas, como diretor de produção e ministrando. Um exemplo de apóstolo multi-ação.

E depois sou eu o cavalo que não tem capacidade mental...

Anônimo - 6 de dezembro de 2016 - 22:34
“Gente esse Ricador FROES é um CAVALO! pela retruca dos comentários vesse que não tem capacidade mental para responder os mesmos kkkk cuidado gente ele exclui todos que não concordam com as babaquices que escreve...”

Fica aqui registrado um dos motivos que me obrigam a excluir alguns comentários. Fica como “homenagem” a todos os idiotas analfabetos que se acham no direito de tentar se fazer entender, mas não têm a mínima intimidade com o idioma e muito menos arrumação intracromossomial específica para serem considerados animais racionais.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Questão de interpretação

A foto do funeral de Fidel mostrando o povo de bunda para o carro com as cinzas do falecido Coma Andante não deve ser interpretada como protesto ou desrespeito. É apenas a força de um hábito de 57 anos, praticado de modo a simplificar a penetração.

Gente fina é outra coisa.

“Ah, vai pra puta que pariu, Sergio Moro!”

Requião, ontem, em um momento de extrema candura.

Ruínas do Rio

José Casado

O Estado do Rio vai começar 2017 absolutamente falido, e com uma dívida não paga de R$ 15,5 bilhões com o funcionalismo e empresas.

Para zerar essa dívida vencida, seria necessário que cada um dos 16,4 milhões de habitantes fizesse uma doação de R$ 939,5 logo no primeiro dia de janeiro. Mesmo se fosse possível, isso só resolveria o problema por 24 horas. Porque o orçamento para os 364 dias seguintes prevê um gasto de R$ 75 bilhões para uma receita de R$ 60 bilhões.

O estado perdeu as condições básicas de governabilidade. Rompeu com todos os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal — do endividamento à despesa com pessoal.

Há dúvidas sobre as possibilidades reais de o governo estadual cumprir a Constituição, neste e no próximo ano, no gasto mínimo em Saúde (12% da receita), Educação (25%), Ciência e Tecnologia (2%). E são remotas as chances de eficácia do “pacote” de cortes que a Assembleia vota hoje. Das 20 medidas, ao menos uma dúzia tende a ser descartada como “inconstitucional”. As que sobrariam são insuficientes.

Isolado e em rota de colisão com o Legislativo e o Judiciário, o governador Luiz Fernando Pezão assiste impassível ao avanço de articulações para o seu impeachment.

A ruína do Rio é reveladora sobre a anarquia na Federação — veja-se Minas e o Rio Grande do Sul. O caos afeta quem mais depende dos serviços de saúde, educação e segurança.

No Rio, por exemplo, de cada dez pessoas que necessitam terapia intensiva, só quatro conseguem internação na rede pública. Algumas recorrem à Justiça, outras morrem na fila.

A crise é devastadora para muitos, mas não para todos. Os paraísos burocráticos seguem incólumes. Neles, os chefes têm empregos vitalícios e aposentadoria integral.

No Legislativo, Judiciário e no Ministério Público recebem R$ 30,4 mil, mais vantagens pecuniárias, têm duas férias anuais e mordomias.

Uma delas são os carros oficiais (R$ 100 mil cada), com estacionamento e combustível grátis. Dias atrás, discutiam-se cortes na frota da Alerj. Houve resistência à eliminação do “instrumento de trabalho”. O deputado André Ceciliano (PT) protestou: “Se depender da população, não vamos ter nem salário”.

Há também os “auxílios” (moradia, educação, alimentação etc.). No Tribunal de Justiça do Rio, os ajutórios superam R$ 800 milhões ao ano. Às vezes, o Judiciário decreta um “retroativo”. Em junho, Goiás pagou indenização a juízes por tudo que comeram desde de maio de 2004 sem auxílio-alimentação. A fórmula foi replicada pelo país.

Nesses jardins do funcionalismo, chefes têm um séquito de assessores, com mordomias. Na folha do Tribunal de Contas do Rio há 121 motoristas e auxiliares com remunerações que chegam a R$ 32 mil mensais.

No tribunal municipal cada conselheiro possui 14 assessores, além da estrutura ao custo anual de R$ 220 milhões. Onze deles batalham agora por auxílio-moradia (R$ 4,3 mil), duas férias por ano e emprego vitalício. Nada além do que seus chefes já possuem.

A crise do Rio vai muito além da tragédia cotidiana visível nas ruas, nos hospitais e nas escolas do estado. Ela resume a devastação nacional cultivada em leis emuladas por corporações e lobbies setoriais. Não tem nada ilegal, é apenas contra o interesse público.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Aviso aos navegantes:

Meu saco estourou para gente que comenta aqui e não tem um pingo de educação.

Meu saco estourou para gente que comenta aqui e que, só por ter acesso à internet, se acha no direito de tentar escrever sem sequer ser alfabetizado, que dirá raciocinar.

Meu saco estourou para os maníacos do evangelismo cego, para os “bíblias” que acham botando o livro no sovaco vão assimilar alguma coisa e para os cordeiros amestrados por pastores canalhas.

Não devo nada a ninguém, não sou jornalista, não sou patrocinado por ninguém e escrevo essa porra sozinho há mais de dez anos sem ter censurado comentários, nem mesmo os que me ofendem.

Sempre me pautei pela honestidade e pela decência. Reconheci meu erros e sempre os corrigi com as devidas desculpas. Não sou perfeito.

Mas meu saco estourou. Não vou mais admitir que gente idiota faça do Toma Mais Uma um lugar onde ruminantes regurgitam a merda que comem.

A partir de hoje, todo animal irracional que se enquadre nas categorias acima citadas terão seus comentários devidamente apagados. Vão bostejar aonde lhes aceitem, aqui não!


domingo, 4 de dezembro de 2016

“Existe um Deus?”

A postura de certos ateus me incomoda tanto quanto a de certos crentes que insistem em tentar provar que existem deuses, almas, espíritos, milagres e tudo o mais. E incomoda até porque temo ser confundido com algum membro do “ateísmo”, uma (des)crença mais absurda que qualquer outra, já que ela tenta provar uma “não existência”.

Seguindo essa linha, eu me permito a “heresia” de discordar até de Bertrand Russell que, em um artigo chamado “Existe um Deus?”, criou a analogia do “bule de chá”, cuja finalidade é mostrar que a dificuldade de desmentir uma hipótese não torna esta verdadeira, e que não compete a quem duvida desmenti-la, mas quem acredita nela é que deve provar sua veracidade.


Disse ele:

“Muitos indivíduos ortodoxos dão a entender que é papel dos céticos refutar os dogmas apresentados – em vez dos dogmáticos terem de prová-los. Essa ideia, obviamente, é um erro. De minha parte, poderia sugerir que entre a Terra e Marte há um bule de chá de porcelana girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, e ninguém seria capaz de refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o bule de chá é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos. Mas se afirmasse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice. Entretanto, se a existência de tal bule de chá fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todo domingo e instilada nas mentes das crianças na escola, a hesitação de crer em sua existência seria sinal de excentricidade e levaria o cético às atenções de um psiquiatra, numa época esclarecida, ou às atenções de um inquisidor, numa época passada.”

Tudo bem, seu Bertrand, mas pau que dá em chico também dá em francisco. Tentar provar que o bule existe não é mais impossível que provar que ele não existe.

Aqui, vou fazer um parêntesis: se Russel, que morreu em 1970, escrevesse esse artigo hoje, certamente ampliaria bastante seus horizontes quanto à analogia, localizando o bule de chá perto dos confins do universo, já que hoje talvez tenhamos condições tecnológicas de detectá-lo numa órbita entre a Terra e Marte.

Mas, voltando, para provar que o bule não existe (devidamente atualizado e colocado em qualquer lugar do universo), simplesmente teríamos que esquadrinhar tudo que existe, uma impossibilidade óbvia, portanto, o cético poderia continuar não acreditando no bule, mas jamais poderia asseverar que ele de fato não existe.

Assim é com os deuses. E como os ateus não conseguem provar as suas não existências, o “ateísmo” não pode ser considerado como sendo baseado na razão - afirmação orgulhosa e furada de dez entre dez dos seus militantes - e não passa de mais uma seita, crença, fé ou religião como outra qualquer.

Se para mim deus não existe, este é um problema exclusivamente meu: nunca me convenci (ou nunca me convenceram), mas nem por isso nego a possibilidade. Os tolos que o negam em nome da Ciência também negam o princípio básico da sua evolução, que são as eternas dúvidas e certezas que nada é definitivo.



“Dilma não pedia vantagem, mas sabia tudo do petrolão.”

É aquela história: a véia é dona do cabaré, contrata as quengas, recepciona os clientes, recebe os pagamentos, fecha o caixa... mas não é puta.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Cuba pré-castrista tinha saúde e educação notáveis como os atuais

Antes do artigo de Demetrio Magnoli na Folha (que eu ainda não li, mas já terei lido antes de publicá-lo, é claro) eu gostaria de dizer que Cuba poderia ter “saúde e educação notáveis” antes de Fidel, porque classificar o que se tem notícia sobre o que é a ilha-presídio hoje de “notável” é um bocado de licença poética. A completa falência da saúde e, em vez de educação, a doutrinação idiotológica ocupando 80% do tempo e espaço dos jovens estão fartamente exibidas no YouTube para quem quiser ver.

O mais curioso desse artigo do Demetrio (agora depois de lê-lo) é que ele, esquerdista, só cita a Cuba pré-Fidel, ignorando completamente o que ocorre hoje por lá.

Cabe dizer que em “O que foi Cuba pré-Castro”, eu dei uma ideia sobre assunto com dados pesquisados em várias fontes.

Na sua capa, à guisa de epitáfio, a Folha (27/11) ofereceu a Fidel Castro uma espécie de absolvição histórica: “A ditadura é reconhecida por ter melhorado as condições de saúde e educação na ilha caribenha”. O mito da ditadura benigna emergiu, em formulações similares, nas declarações de FHC e José Serra, refletindo um consenso dos que, ao menos, recusam-se a elogiar fuzilamentos sumários ou o encarceramento de dissidentes. Temo estragar a festa contando um segredo de Polichinelo: a Cuba pré-castrista exibia indicadores de saúde e educação tão notáveis quanto os atuais.

Fulgêncio Batista dominou a política cubana durante um quarto de século, até a revolução de 1959. Em 1937, no seu segundo ano de poder, instituiu o salário mínimo e a jornada de oito horas, antes do Brasil (1940) e de qualquer país latino-americano. No início da segunda década da “era Batista”, em 1955, a taxa de mortalidade infantil em Cuba (33,4 por mil) era a segunda menor na América Latina.

O embargo econômico dos EUA contra Batista (sim, Batista!) começou em 1957. Naquele ano, a taxa de mortalidade infantil cubana (32 por mil) estava entre as 13 mais baixas do mundo, perto da canadense (31) e menor que as da França (34), Alemanha (36) e Japão (40). Atualmente, segue baixa, mas já não está entre as 25 menores do mundo. No mesmo ano, Cuba aparecia como o país latino-americano com maior número de médicos per capita (um por 957) e a maior quantidade de calorias ingeridas por habitante (2.870).

Enquanto promovia centenas de execuções sumárias, o regime castrista conduziu campanhas de alfabetização rural tão inúteis quanto o Mobral de Emilio Médici. Como no Brasil, o analfabetismo reduziu-se quase à insignificância pelo efeito inercial da universalização do ensino básico. Mas Cuba partiu de patamar invejável: as taxas de alfabetização de 1956, quando os guerrilheiros chegaram à Sierra Maestra, colocavam a ilha na segunda posição na América Latina (76,4%), bem à frente da Colômbia (62%) e do Brasil (49%). Todas essas estatísticas estão na série da anuários demográficos publicados pela ONU entre 1948 e 1959, hoje disponíveis na internet. O jornalismo prefere ignorá-las, repercutindo a cartilha de propaganda castrista.

Batista fugiu para a República Dominicana no Ano Novo de 1959. Se, na época, a Folha aplicasse o critério que usa para Fidel, teria escrito que a ditadura de Batista “é reconhecida por ter melhorado as condições de saúde e educação na ilha caribenha”. Por sorte, não o fez: Cuba não foi salva por Fidel nem pelo tirano que o precedeu. Médicos cubanos realizaram a primeira anestesia com éter em terras latino-americanas (1847), identificaram o agente transmissor da febre amarela (1881) e inauguraram a pioneira máquina de raio-X da América Latina (1907). Antes de Batista, em 1931, a taxa de mortalidade geral cubana (10,2 por mil) era menor que a dos EUA (11,1).

Governos têm importância menor que a “história profunda”. Nos tempos coloniais, Cuba foi a “joia da coroa” espanhola no Caribe, um dos mais dinâmicos centros hispano-americanos, atraindo uma numerosa elite econômica e intelectual. A excelente faculdade de Medicina de Havana, os hospitais e as escolas do país nasceram no mesmo solo cosmopolita que produziu José Martí, apóstolo da independência, a Constituição democrática de 1940 e o Partido Ortodoxo, berço original do grupo revolucionário liderado por Fidel. Dia e noite já se sucediam em Cuba antes do triunfo final da guerrilha castrista, na Batalha de Santa Clara.

Frei Betto dirá que a presciente ONU falsificou preventivamente as estatísticas colhidas na era pré-revolucionária para presentear o imperialismo ianque com torpes argumentos anticastristas. Apesar dele, os malditos anuários teimam em narrar uma história inconveniente. Hasta siempre, Comandante!


Ouviram o galo cantar, mas não sabem onde

Esse cartaz anda circulando pelaí como se tivessem descoberto a pólvora.


Só que não:

Constituição - Artigo 12. São brasileiros:

I - natos:

a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente, ou venham a residir na República Federativa do Brasil antes da maioridade e, alcançada esta, optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira;


Rodrigo Maia nasceu no Chile, na época de exílio de seu pai Cesar Maia, sendo registrado no consulado do Brasil em Santiago, o que o caracteriza como sendo brasileiro nato.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Meus caros evangélicos, perguntar não ofende: Por que vocês dizem tanta asneira?

O Toma Mais Uma foi invadido por uma plêiade de crentes. Tenho certeza que tal invasão se deveu ao simples fato de eu ter tido a infeliz ideia de incluir a palavra “demônio” no título da minha postagem acerca da homonímia entre a Lamia, a empresa aérea de um avião só, e a lamia, figura diabólica que consta de várias mitologias. Não há coisa que mais lhes atraia que falar do capeta.

Evangélicos, ou neoevangélicos - e que me perdoem os que se enquadram nessas classificações, mas não corroboram com a ideia dos “castigos de deus” -, desandaram a praguejar supostas maldições e coisas do gênero.

O mais grave é que ninguém sequer lamentou a morte de tantas pessoas, evidenciando a paranoia coletiva que caracteriza essa gente, que dá mais importância às interpretações canhestras da Bíblia, que seus exploradores lhes incutem, do que aos fatos.

Em sua maioria, não passam de infelizes criaturas carentes que, abandonadas pelo Estado, não têm outro remédio senão procurar cura e conforto em alguma outra coisa e, lamentavelmente, acabam caindo nas mãos de embusteiros inescrupulosos que, aproveitando das suas fragilidades, incutem-lhes interpretações completamente equivocadas da Bíblia, prometem o incumprível e extorquem seu suado dinheirinho.

Lamento muito os governos ausentes e os salafrários que exploram sem dó nem piedade essas pessoas, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser alertar essas pessoas sobre o engodo que estão sendo vítimas.


Só na América Latina

A Bolívia suspendeu a licença da Lamia.

Morreram o dono e piloto, a tripulação e o único avião virou pó.

Eles acreditam em reencarnação até de avião...


A mais cruel verdade


Joaquim Barbosa, uma esperança que virou decepção

É como disse Carlos Newton na Tribuna da Internet:

“Joaquim Barbosa é mais uma decepção. Gosta de tirar uma onda (“malaise” para cá, “malaise” para lá), dá pitaco em todo assunto, mas a verdade é que se acovardou e pediu aposentadoria antes do tempo, ao invés de continuar enfrentando os petistas do Supremo. E ainda tem coragem de agora colocar o impeachment de Dilma sob suspeição e defender Lula, o chefão dessa quadrilha que levou o país à maior crise da história. Essa entrevista só merece ser publicada para mostrar que Barbosa também é apenas mais uma decepção.”

Folha

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa assistiu praticamente em silêncio ao impeachment de Dilma Rousseff e aos principais fatos políticos deste ano no Brasil. Depois de quase um ano sem dar entrevistas, Barbosa, que montou escritório em São Paulo e hoje dá palestra e faz pareceres jurídicos, recebeu a Folha no apartamento de dois quartos que alugou na cidade.

Para o ex-ministro, que comandou o julgamento do mensalão, o impeachmentfoi “uma encenação” que fez o país retroceder a um “passado no qual éramos considerados uma República de Bananas”. Barbosa acha que o governo de Michel Temer corre o risco de não chegar ao fim.

O senhor escreveu há alguns meses em sua conta no Twitter que o afastamento de Dilma Rousseff foi um “impeachment Tabajara”. Por quê?
Tabajara porque aquilo foi uma encenação. Todos os passos já estavam planejados desde 2015. Aqueles ritos ali [no Congresso] foram cumpridos apenas formalmente. O que houve foi que um grupo de políticos que supostamente davam apoio ao governo num determinado momento decidiu que iriam destituir a presidente. O resto foi pura encenação. Os argumentos da defesa não eram levados em consideração, nada era pesado e examinado sob uma ótica dialética.

O que sustentava esse grupo? Porque dez pessoas apenas não fazem um impeachment.
Era um grupo de líderes em manobras parlamentares que têm um modo de agir sorrateiro. Agem às sobras. E num determinado momento decidiram [derrubar Dilma]. Acuados por acusações graves, eles tinham uma motivação espúria: impedir a investigação de crimes por eles praticados. Essa encenação toda foi um véu que se criou para encobrir a real motivação, que continua válida.

O senhor acha que ainda há risco para as investigações que estão em curso?
Há, sim, porque a sociedade brasileira ainda não acordou para a fragilidade institucional que se criou quando se mexeu num pilar fundamental do nosso sistema de governo, que é a Presidência. Uma das consequências mais graves de todo esse processo foi o seu enfraquecimento. Aquelas lideranças da sociedade que apoiaram com vigor, muitas vezes com ódio, um ato grave como é o impeachment não tinham clareza da desestabilização estrutural que ele provoca.

O impeachment foi um golpe?
Não digo que foi um golpe. Eu digo que as formalidades externas foram observadas – mas eram só formalidades.

O impeachment não teve o apoio de setores econômicos?
A partir de um determinado momento, sob o pretexto de se trazer estabilidade, a elite econômica passou a apoiar, aderiu. Mas a motivação inicial é muito clara.

E qual é o problema do enfraquecimento da Presidência?
No momento em que você mina esse pilar central, todo o resto passa a sofrer desse desequilíbrio estrutural. Todas as teorias dos últimos 30 anos, de hipertrofia da Presidência, de seu poder quase imperial, foram por água abaixo. A facilidade com que se destituiu um presidente desmentiu todas essas teses. No momento em que o Congresso entra em conluio com o vice para derrubar um presidente da República, com toda uma estrutura de poder que se une não para exercer controles constitucionais mas sim para reunir em suas mãos a totalidade do poder, nasce o que eu chamo de desequilíbrio estrutural. Essa desestabilização empoderou essa gente numa Presidência sem legitimidade unida a um Congresso com motivações espúrias. E esse grupo se sente legitimado a praticar as maiores barbáries institucionais contra o país. Durante alguns meses, em palestras, eu indagava à plateia: vocês acham que, concluído o impeachment, numa democracia dessa dimensão, o país sobreviverá por dois anos e meio à turbulência política que se seguirá?

E qual é a sua resposta?
Nós continuaremos em turbulência. Isso só vai acabar no dia em que o Brasil tiver um presidente legitimado pela soberania popular. Aceito de forma consensual, límpida, tranquila, pela grande maioria da população.

O sr. já disse que talvez o governo não chegue ao fim.
Corre o risco. É tão artificial essa situação criada pelo impeachment que eu acho, sinceramente, que esse governo não resistiria a uma série de grandes manifestações.

Que outros problemas o senhor vê no governo?
Os cientistas políticos consolidaram o pensamento de que o presidente depende do Congresso para governar. E não é nada disso. Uma das características da boa Presidência é a comunicação que o presidente tem diretamente com a nação, e não com o Congresso. Ele governa em função da legitimidade, da liderança, da expressão da sua vontade e da sua sintonia com o povo. Dilma não tinha nenhum desses atributos. Aí ela foi substituída por alguém que também não os têm, mas que acha que está legitimado pelo fato de ter o apoio de um grupo de parlamentares vistos pela população com alto grau de suspeição. Ele [Temer] acha que vai se legitimar. Mas não vai. Não vai. Esse malaise [mal estar] institucional vai perdurar durante os próximos dois anos.

E na área econômica?
O Brasil deu um passo para trás gigantesco em 2016. As instituições democráticas vinham se fortalecendo de maneira consistente nos últimos 30 anos. O Brasil nunca tinha vivido um período tão longo de estabilidade. E houve uma interrupção brutal desse processo virtuoso. Essa é a grande perda. O Brasil de certa forma entra num processo de “rebananização”. É como se o país estivesse reatando com um passado no qual éramos considerados uma República de Bananas. Isso é muito claro. Basta ver o olhar que o mundo lança sobre o Brasil hoje.

E qual é ele?
É um olhar de desdém. Os países centrais olham para as instituições brasileiras com suspeição. Os países em desenvolvimento, se não hostilizam, querem certa distância. O Brasil se tornou um anão político na sua região, onde deveria exercer liderança. É esse trunfo que o país está perdendo.

Isso é recuperável?
No dia em que a sociedade despertar e restaurar a Presidência através de uma eleição em que se escolha alguém que representa os anseios da nação, isso limpa esse “malaise”, essa perda dos grandes trunfos.

O que o senhor achou da aprovação da lei de abuso de autoridade na Câmara?
Tudo o que está acontecendo esta semana no Congresso é desdobramento do controvertido processo de impeachment, cujas motivações reais eram espúrias. Ou seja: a partir do momento em que se aceitou como natural o torpedeamento do pilar central do sistema presidencialista, abriu-se caminho para o enfraquecimento de outras instituições. A lógica é a seguinte: se eu posso derrubar um chefe de Estado, por que não posso intimidar e encurralar juízes? Poucos intuíram –ou fingiram não intuir– que o que ocorreu no Brasil de abril a agosto de 2016 resultaria no deslocamento do centro de gravidade da política nacional, isto é, na emasculação da presidência da República e do Poder Judiciário e no artificial robustecimento dos membros do Legislativo. Tudo isso pode ainda ser revertido pelo Senado, pelo veto presidencial ou pelo STF. O importante neste momento é que cada um faça uma boa reflexão e assuma a sua parcela de culpa pela baderna institucional que está tomando conta do país.

E as medidas de combate à corrupção apresentadas pelo Ministério Público Federal e alteradas na Câmara?
Eu tenho resistência a algumas das propostas, como legitimação de provas obtidas ilegalmente. E o momento [de apresentá-las] foi inoportuno. Deu oportunidade a esse grupo hegemônico de motivação espúria de tentar introduzir [na proposta] medidas que o beneficiassem.

O que o sr. acha da Lava Jato?
Eu acompanho a Lava Jato muito à distância, pela imprensa. Para mim é a Justiça que está dando toda a aparência de estar funcionando.

O que o senhor acha da hipótese de Lula ser preso?
Eu nunca li, nunca me debrucei sobre essas acusações. Sei que há uma mobilização, um desejo, uma fúria para ver o Lula condenado e preso antes de ser sequer julgado. E há uma repercussão clara disso nos meios de comunicação. Há um esforço nesse sentido. Mas isso não me impressiona. Há um olhar muito negativo do mundo sobre o Brasil hoje. Uma prisão sem fundamento de um ex-presidente com o peso e a história do Lula só tornaria esse olhar ainda mais negativo. Teria que ser algo incontestável.

Para finalizar: o senhor continua na posição de não ser candidato a presidente?
Eu continuo. Seria uma aventura muito grande eu me lançar na política, pelo meu temperamento, pelo meu isolamento pessoal, pelo meu estilo de vida. Eu não tenho por trás de mim nenhuma estrutura econômica, de comunicação. Nem penso em ter.


PSDB (leia-se Aécio Neves) foi principal articulador de urgência de pacote anticorrupção

Caiu a máscara!

Correio Braziliense

Nenhum senador do PSDB votou a favor da manobra para acelerar a votação do pacote anticorrupção no Senado. O resultado da votação, entretanto, disfarça os acordos costurados ao longo da tarde dessa quarta-feira, (30/11). Interlocutores que participaram das reuniões garantem: Aécio Neves (MG) foi o primeiro a articular a urgência da votação e o PSDB prometeu votos no requerimento, mas não cumpriu.

Presidente do PSDB, Aécio trabalhou ao longo da tarde para costurar o acordo, que foi fechado com lideranças do PMDB, PT, PSD, PP e PTC. O tucano foi o principal articulador do pedido de urgência, afirmam fontes. Se fosse aprovado o requerimento, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que é relator do abuso de autoridade, assumiria também o pacote anticorrupção para apresentar parecer favorável a todas as modificações feitas na Câmara. De acordo com o Ministério Público, o projeto foi desvirtuado pelos deputados.

Na noite desta quarta-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conduziu a manobra. O peemedebista, que não costuma perder votações e, quando observa clima desfavorável, prefere suspendê-las, acabou derrotado por 44 votos a 14.

À primeira vista, Renan pareceu sozinho em sua articulação. Mas, na realidade, líderes que participaram do acordo acabaram desistindo diante da reação do plenário. Renan insistiu na votação porque confiou no acordo firmado mais cedo.

Senadores que estiveram no jantar natalino na casa de Eunício Oliveira (PMDB-CE) após a votação relataram que houve constrangimento entre aqueles que prometeram o voto, mas não entregaram.

Reação

A estratégia era que o requerimento fosse votado sem alarde. Ao dar início à votação, Renan não mencionou do que se tratava. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), ciente da manobra - e contrário à ela -, pediu que o conteúdo do requerimento fosse esclarecido

Ao saberem que se tratava de pedido de urgência para o pacote anticorrupção, muitos senadores se voltaram contra a iniciativa. A reação do plenário não deixou outra alternativa aos articuladores da manobra se não abandonar a estratégia.

Senadores que participaram do acordo criticaram os líderes do PMDB, Eunício Oliveira (CE) e do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que nem sequer estiveram presentes na votação para garantir a estratégia firmada. O líder do PSD, Omar Aziz (AC), que assinou o requerimento de urgência, também não estava no plenário no momento da votação.

As maiores críticas, entretanto, recaíram sobre o PSDB. De acordo com um dos senadores que participou das reuniões para a manobra, a bancada tucana foi orientada a votar fechada contra o requerimento de urgência quando Aécio notou que iria perder. Desta forma, o partido sairia insuspeito.

Outro lado

A assessoria do senador Aécio Neves negou que ele tenha participado de qualquer reunião para tratar do assunto. Renan Calheiros, por sua vez, argumenta que não é autor do requerimento de urgência e que apenas cumpriu seu papel, como presidente do Senado, de colocar a proposta em votação.

O senador Romero Jucá disse desconhecer qualquer articulação para acelerar o pacote anticorrupção e afirmou que estava no Palácio do Planalto no momento da discussão, razão pela qual também não participou da votação. Jucá chegou ao plenário já no fim dos desentendimentos.

O senador Omar Aziz, que assinou o pedido de urgência, afirmou que participou de reuniões para tratar do assunto, mas que a vontade do plenário é soberana. Ele avalia que, apesar da tentativa de urgência, a resolução final da questão foi a melhor possível e que agora o pacote vai tramitar com tranquilidade pelas comissões do Senado.