quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Nós vamos patrocinar a viagem de uma calhorda para falar mal do Brasil lá fora

Dilma Rousseff vai à Espanha, Itália e França para participar de eventos, incluindo um que tratará do “ataque à democracia no Brasil e na América Latina”.

O Diário Oficial de hoje traz a autorização para que assessores e seguranças a acompanhem no tour pela Europa.


Tenham a santa paciência!

Aliás, será que ela vai em avião de carreira?...

Sponholz




terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O que é a Terceira Esquerda e quais são seus desafios

Marcelo Fantaccini Brito

Este texto define como Primeira Esquerda no Brasil os dois partidos de esquerda que apoiaram os governos Lula e Dilma, que são o PT e o PCdoB, assim como as organizações e os movimentos aliados destes partidos, e os intelectuais que apoiam estes partidos. Este texto define como Segunda Esquerda no Brasil os partidos de esquerda que fizeram oposição de esquerda aos governos Lula e Dilma, que são o PSOL, o PSTU e o PCB, assim como as organizações e os movimentos aliados destes partidos, os intelectuais que apoiam estes partidos e qualquer um que seja de esquerda mas não apoiou os governos Lula e Dilma por não considera-los de esquerda. Há subdivisões dentro destas duas esquerdas, que não vem ao caso para este texto.

Além destas duas esquerdas, vem crescendo uma Terceira Esquerda no Brasil. Trata-se daquela que considera que o Brasil precisa de forças de esquerda, mas que as já consolidadas não estão conseguindo cumprir seu papel. A primeira por ter muitos integrantes relacionados com graves escândalos de corrupção e por outros motivos também. A segunda por ter muitos integrantes que apresentam uma visão muito infantil de política e de economia. Não se trata de afirmar que todo comunista é infantil e que todo social-democrata é amadurecido. Não defendo esta ideia. Além disso, também tem social-democrata infantil na Segunda Esquerda. A infantilidade de grande parte da Segunda Esquerda consiste em falar como se orçamentos fossem ilimitados e todas as alianças fossem condenáveis.

Assim como as duas esquerdas já consolidadas, esta Terceira Esquerda considera que são necessárias forças de esquerda para evitar o maior retrocesso social e político que a Nova República já viu, retrocesso este praticado pelo atual governo não eleito, pelo Congresso mais reacionário que a Nova República já teve, por grandes grupos midiáticos e grandes associações empresariais. Porém, integrantes desta Terceira Esquerda consideram que os problemas mencionados no primeiro parágrafo deste texto fazem com que as duas esquerdas já consolidadas tenham dificuldade de cumprir seu papel. Isto pode ser visto nas eleições municipais de 2016, em que partidos das duas esquerdas perderam feio, enquanto que partidos da base do governo impopular de Temer tiveram grandes vitórias.

Por enquanto, a Terceira Esquerda não é um grupo unificado. É apenas um aglomerado de intelectuais, de ativistas de redes sociais e de movimentos que se posicionam à esquerda no espectro político, mas que têm postura crítica quanto às esquerdas já consolidadas. Podemos falar de Pablo Ortellado, Moysés Pinto Neto, Luiz Eduardo Soares, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Renato Janine Ribeiro, César Benjamin, Márcia Tiburci, Leandro Karnal, Leonardo Sakamoto, Maurício Santoro, Celso de Barros, André Forastieri e alguns movimentos de meio ambiente, direitos humanos e minorias não alinhados com o PT/PCdoB nem com o PSOL/PSTU/PCB. O Sensasionalista, que antes não tinha ideologia definida, está cada vez mais próximo da descrição de Terceira Esquerda. O humorista Gregório Duvivier tem boa relação com o PT e com o PSOL, mas ao não aderir integralmente ao discurso do PT, nem ser de extrema-esquerda, também pode ser considerado um integrante da Terceira Esquerda. A divisão entre as três esquerdas que este texto propõe não é rígida. Alguns dos pensadores citados são admirados também pela primeira e pela segunda esquerda. Se eu estivesse escrevendo este texto dois anos atrás eu ainda incluiria Idelber Avelar, Raphael Tsavkko e Giuseppe Cocco na lista, mas atualmente não é mais possível defini-los nem mesmo como esquerda. Elogiável a atitude de Idelber Avelar de admitir que não mais se identifica como esquerda.

A presença de um ambientalista como Moysés Pinto Neto e um nacionalista desenvolvimentista como César Benjamin mostra a heterogeneidade deste movimento. Em comum, estes pensadores compartilham apenas o fato de estarem à esquerda no espectro político, não se identificarem com o PT, mas também não se identificarem com a oposição de esquerda.

Por enquanto, não há partidos políticos que representam a Terceira Esquerda. As candidaturas presidenciais de Cristóvam Buarque (2006), Marina Silva (2010 e 2014) e Eduardo Jorge (2014) poderiam ter representado esta tendência. O problema é que ficou difícil encontrar o que existe de esquerda em Cristóvam Buarque, Marina Silva e Eduardo Jorge. Estes três políticos estão cada vez mais ideologicamente alinhados com os partidos de direita. Apesar da Marina Silva, a REDE poderia representar a Terceira Esquerda por causa do Alessandro Molon, do Luiz Eduardo Soares e do Randolfe Rodriguez. Mas houve um racha neste jovem partido, que teve reduzida sua ala esquerda. A candidatura de Ciro Gomes em 2018 poderia representar ideias da Terceira Esquerda. Porém, ele é um líder solitário. Alguns parlamentares do seu PDT votaram a favor do impeachment e da PEC do teto dos gastos. Embora adeptos da Terceira Esquerda sejam críticos tanto do PT, quanto do PSOL, eles geralmente gostam de alguns quadros destes dois partidos: Fernando Haddad, Eduardo Suplicy, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Chico Alencar e Luiza Erundina.

Os grupos políticos mais consolidados no Brasil mobilizam seguidores com suas narrativas sobre a história recente do Brasil. A narrativa feita pela direita é a seguinte:

“O período do PT no poder (2003-2016) foram 13 anos perdidos para o Brasil. O PT não tinha um projeto de país, e sim um projeto de poder. Houve corrupção como nunca antes havia ocorrido. Políticos corruptos sempre existiram, mas o PT inovou em fazer da corrupção um modo de governar. Houve um grande aparelhamento de órgãos públicos. A política externa consistiu em apoiar ditaduras. A gestão da economia foi desastrosa. Durante o governo Lula, ainda apareceram alguns bons resultados por causa do efeito das reformas realizadas por Fernando Henrique Cardoso, do boom da economia mundial e da presença de um pouco mais de responsabilidade no primeiro mandato, mas bastou tudo isso passar que o desastre ficou evidente. Lula e Dilma tiveram popularidade alta por um tempo por causa da propaganda enganosa feita por João Santana, dos ataques à imprensa e dos programas sociais que não passam de compra de voto de vagabundo. Mas depois a sociedade brasileira percebeu o engodo, aí os cidadãos de bem que trabalham foram às ruas aos domingos, porque só vagabundo protesta em dia de semana, e finalmente nos livramos do PT”

A narrativa feita pela Primeira Esquerda é a seguinte:

“O período do PT no poder (2003-2016) foi um período de grande inclusão social. Quarenta milhões de brasileiros saíram da pobreza. Muitos filhos de empregadas domésticas tiveram a oportunidade de fazer curso superior. O aumento do salário mínimo e os programas sociais fizeram reduzir a desigualdade na distribuição de renda. Foi possível conciliar crescimento do PIB com redução do peso da dívida pública no PIB. Ainda teve o apoio à agricultura familiar, teve uma política cultural inovadora, teve valorização dos servidores públicos, teve valorização das universidades federais, que no tempo do Paulo Renato não tinham nem papel higiênico. A política externa fez com que o Brasil deixasse de ser um quintal dos Estados Unidos e tivesse uma posição assertiva no cenário internacional. Teve práticas de caixa dois para financiamento de campanhas e compra de votos igual teve em qualquer governo, mas a mídia empresarial oligopolizada usou a indignação seletiva de corrupção para fazer campanha incessante contra o PT. E a classe média ficou inconformada com o fato dos serviços braçais terem ficado mais caros por causa da valorização do salário mínimo. Isto foi intensificado porque o governo valorizou a Polícia Federal, permitindo mais investigações, e os presidentes Lula e Dilma foram bonzinhos demais ao não terem colocado aliados políticos no STF e no MP. Aí a Lava Jato devastou a economia, e analfabetos políticos de classe média usando camisa da CBF contribuíram com o golpe”

A narrativa feita pela Segunda Esquerda é a seguinte:

“O PT no poder (2003-2016) traiu sua história, construída por operários, camponeses, estudantes, servidores públicos, mulheres, negros, LGBTs, e fez um governo voltado para o topo da pirâmide social. Fez a Reforma da Previdência, tirando direito dos servidores, para agradar banqueiros. Praticou política de juros altos, de superávit primário alto, apoiou o agronegócio e se esqueceu da Reforma Agrária, encheu as universidades privadas de dinheiro através do Prouni e se esqueceu das universidades públicas, fez o Minha Casa Minha Vida que beneficiou as empreiteiras e se esqueceu da Reforma Urbana, construiu grandes hidroelétricas na Amazônia, arruinando a floresta, e a vida dos índios e das populações ribeirinhas, foi negligente com o genocídio de índios praticado por ruralistas. Não fez reforma dos meios de comunicação e encheu de verba de publicidade a mídia empresarial. Distribuiu migalhas para os pobres através do Bolsa Família. Confundiu cidadania com consumo. Se aliou a organizações mafiosas como a CBF, o COB, a FIFA e o COI para realizar os grandes eventos esportivos, que só serviram para desperdiçar dinheiro público e remover pobres. Se aliou a lideranças históricas corruptas da direita, incluindo José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Michel Temer, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Marcelo Crivella, Gilberto Kassab e Eduardo Cunha. Ainda assim, o topo da pirâmide social brasileira achou pouco, e quis voltar a governar sem intermediários. Por isso, houve uma articulação entre a antiga oposição de direita e ex-aliados do Lula e da Dilma para dar o golpe”

Os formadores de opinião que este texto define como Terceira Esquerda consideram as três narrativas muito simplistas. Consideram que todos estão um pouco certos e um pouco errados. Embora consideram que a maior parte da narrativa da direita seja uma grande baboseira, reconhecem que depois do que foi descoberto em 2014/2015, a corrupção existente nos governos do PT foi grave o suficiente a ponto de não poder ser relativizada através de afirmações como “sempre foi assim, todo mundo fez, é que agora está sendo mais investigado”, “era necessário para formar uma maioria no Congresso” ou “o PT não tem apoio ideológico do meio empresarial, por isso tem mais dificuldade de obter financiamento legal de campanha”. O discurso oficial do partido em sempre se colocar como vítima parece indicar que o partido continua defendendo as relativizações. Também consideram que a guinada nacionalista intervencionista da política econômica do primeiro mandato da Dilma não resolveu os problemas que se propunham resolver e ainda criou outros problemas. E que o PT tem meios de comunicação e uma militância muito intolerante com críticos.

Os identificados como Terceira Esquerda concordam com a Primeira Esquerda em reconhecer alguns avanços sociais do governo Lula e a importância da política externa. Concordam com a Segunda Esquerda na crítica à negligência à Reforma Agrária, Reforma Urbana e Reforma Tributária Progressiva, na crítica à política de hidrelétricas na Amazônia, na crítica aos grandes eventos esportivos e nas alianças, na crítica à supervalorização do consumismo, mas não endossam a ideia de que a política de superávit primário foi ruim, que os únicos defeitos dos governos do PT foram não ter sido suficientemente de esquerda e que toda aliança é ruim.

Este movimento de opinião, descrito neste texto como Terceira Esquerda, encontra algumas dificuldades. Uma delas é transformar em ações práticas esta visão mais complexa de mundo que alega ter em comparação com a direita e com as duas esquerdas consolidadas. As três narrativas apresentadas podem ser simplistas e equivocadas em muitos pontos, mas a simplicidade ajuda a mobilizar pessoas. A Terceira Esquerda ainda não conseguiu construir uma narrativa que mobilize. Quanto alguns de seus integrantes tentaram, cometeram o mesmo erro de serem fantasiosos demais para defender seu lado. Tentaram descrever os protestos de 2013 como protestos que defendiam suas causas. Mas quem mais mobilizou em 2013 foram as duas esquerdas consolidadas e a direita.

A Terceira Esquerda ainda é apenas um movimento de opinião presente em pessoas da classe média urbana escolarizada. Não tem penetração nas classes mais baixas. Seus líderes são pensadores dispersos cuja maior articulação por enquanto é um dar like no texto do outro no Facebook. Por enquanto não há um movimento organizado, nem mesmo uma revista que unifique esta tendência. Ideias desta tendência podem ser encontradas com mais facilidade na Piauí e no Instituto Humanitas Unisinos. A revista Carta Capital, apesar de ser da Primeira Esquerda, com espaço para integrantes da Segunda Esquerda, também tem textos que podem ser identificados como ligados à Terceira Esquerda.

Embora não todos, grande parte dos integrantes da Terceira Esquerda estão relacionados apenas com meio ambiente, direitos humanos e minorias. Apesar de serem temas muito relevantes, não são suficientes em um país de renda média como o Brasil. Aliás, até em países de renda alta a esquerda vem tomando pau por ser identificada só com isso.

As opiniões da Terceira Esquerda têm espaço reduzido na opinião pública brasileira porque em um ambiente de grande polarização, há pouco espaço para meios termos. Alguns integrantes da Terceira Esquerda já receberam o apelido pejorativo de “isentões”.

Integrantes da Terceira Esquerda cobram autocrítica das duas outras esquerdas, mas também deveriam fazer sua própria autocrítica. Apontam a incapacidade dos partidos de esquerda mobilizarem pessoas, demonstrando que as manifestações vermelhas tiveram número muito inferior de pessoas em comparação com as manifestações amarelas. Mas as manifestações pretas, de esquerda autônoma, com simpatia de integrantes da Terceira Esquerda, geralmente foram ainda menores do que as manifestações vermelhas. O PT, o PCdoB e o PSOL tiveram grandes derrotas nas eleições municipais de 2016, mas a REDE, que conta com a simpatia de alguns integrantes da Terceira Esquerda, teve desempenho pior ainda.

Uma pergunta pertinente para a Terceira Esquerda é: o que fazer? Criar mais um partido fica difícil, pois já há mais de 30 registrados no TSE, o sistema partidário brasileiro já está consolidado, e ainda existe a PEC para reduzir o número de partidos no Congresso Nacional. Mas organizando-se fortemente como um movimento de opinião, seria possível influenciar o rumo das duas esquerdas já consolidadas. É importante lembrar que um movimento de direita, presente na mídia, na Internet e nas associações empresariais, não criou partidos, mas foi muito útil para puxar o PSDB para a direita.


Notícias Lusitanas Sobre Severino

Essa eu escrevi em 2005, quando Severino Cavalcanti, uma anta picareta, presidia a Câmara dos Deputados (que, aliás, não mudou nada de lá para cá, já que Rodrigo Maia é outra anta picareta).

Vejam como ficaria uma notícia sobre o comparecimento do deputado Severino Cavalcanti a um posto de vacinação para idosos, se fosse dada por um jornal português (glossário ao pé da página):

Notícias Lusitanas Sobre Severino

O deputado Severino Cavalcanti, muito catita em suas calças de ganga e camisola aos quadrados, deu o exemplo à cota, comparecendo a um posto de saúde para tomar sua vacina e, sem usar suas prerrogativas, meteu-se no rabo da bicha e aguardou pacientemente a hora de tomar sua pica. Durante a espera foi muito assediado pelos putos ao dar cacetes e chupa-chupas a todos. Ao adentrar no posto, verificou que as vacinas estavam corretamente acondicionadas em esferovites e foi logo anunciando: “Só tomo pica se for no cu!”, e prontamente arriou suas calças e boxers. Veio então o doutor e, para que não doesse, aplicou suavemente a pica no cu de Severino, que mesmo assim exclamou: “Chiça, está a doer!”. Terminada a operação, ao verificar que seu cu sangrava, o deputado solicitou um penso rápido, o que foi imediatamente providenciado.

Enquanto aguardava o estancamento do sangue sentado em um maple, Severino trocou algumas palavras com a imprensa, aproveitando para classificar de bestiais os seus colegas de hemiciclo. Contou também que começou a vida como trolha e que sua habilitação literária é pouca porque não teve dinheiro suficiente durante a época escolar para pagar as sebentas e nem as propinas. Ao ser perguntado sobre seus hobbies, afirmou que foi um grande trepador na juventude, mas agora, devido à idade, não trepa mais. Sobre suas preferências gastronômicas, disse que é de gosto simples: adora um sandes de prego no cacete acompanhado de um fino e também de uma punheta de bacalhau com grelos. Mostrou-se simpático à greve dos picas, apenas ressalvando que a cheta que eles querem é muito grande, assim como no caso dos mecânicos que pedem isonomia com os estomatologistas.

Para terminar, fez um apelo ao povo para que todos fossem dadores como ele, para que os diminuídos tivessem mais chances de vida, afirmando ainda que as parangonas sobre sua resignação não passam de tangas, pois ainda tem muita genica e que em sua gestão, os artigos da Carta Magna jamais serão safados.

Ao sair do recinto, fez questão de passar pela chafarica em frente e pagar bicas e galões para o povo que o esperava, ao mesmo tempo que novamente distribuía cacetes aos canalhas de quem tanto se agradou.

Glossário:

aos quadrados – xadrez
bestial – admirável
bica – cafezinho
boxers – cueca samba-canção
cacete – pão francês
calças de ganga – calça jeans
camisola – camiseta
canalha – criança
catita – elegante
chafarica – botequim
cheta – grana
chiça – (excl.) puxa!
chupa-chupa – pirulito
cota – gente idosa
cu – nádegas
dador – doador
diminuído – deficiente
esferovite – isopor
estomatologista – dentista
fino – tulipa (chope)
galão – café com leite
genica – energia
grelo – broto de nabo
habilitação literária - grau de instrução
hemiciclo – câmara
maple – sofá
mecânico – auxiliar de dentista
parangona – manchete de jornal
penso rápido – band-aid
pica – injeção
picas – trocador de ônibus
prego – churrasquinho
propina – mensalidade
punheta de bacalhau – salada de bacalhau cru desfiado à mão
putos – meninos
rabo da bicha – fim da fila
resignação – renúncia
safar – apagar (a escrita) com borracha
sandes – sanduíche
sebenta – apostila
tanga – mentira
trepador – alpinista
trolha – auxiliar de pedreiro


“Que boa besta é o Marx” - Otto Lara entrevista Nelson Rodrigues

Sponholz




segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O Estado brasileiro é canalha e irresponsável

Luiz Felipe Pondé

Passado o frenesi da indignação com o ocorrido nas prisões, podemos pensar um pouco sobre aquele inferno. Digo de cara que não acredito na indignação regada a queijos e vinhos.

Vamos dos argumentos mais óbvios (e nem por isso menos verdadeiros), aos menos óbvios. Chegando mesmo aos que parecem obscuros aos inteligentinhos.

Óbvios: o Estado brasileiro é canalha, irresponsável, os dirigentes mentem, não estão nem aí para a vida dos presos (nem de ninguém), prender todo mundo num cubículo de lata é querer que se matem, o crime organizado cresce em meio ao vácuo do poder público, há uma crise no sistema prisional, há corrupção, as autoridades não fazem diferença entre um ladrão de galinha e um serial killer, pobre e preto sempre vai mais preso do que branco coxinha. Tudo verdade.

Menos óbvios: esse tema dá aos foucaultianos um gozo que beira o orgasmo porque Foucault achava que soltando os presos faríamos a verdadeira revolução. Será que ele alguma vez teve que encarar algum bandido querendo mata-lo?

O PCC chega mesmo a tirar lágrimas de alguns foucaultianos com sua declaração de fundação regada a direitos humanos. Uma das razões que torna muito do que os intelectuais falam risível é o fato de que vivem uma vida muito segura em seus casulos corporativos em universidades blindadas ao conhecimento e a qualquer tipo de risco.

Para foucaultianos sofisticados, os bandidos são vítimas da ordem social repressiva e mostram em seu comportamento a doença social, por isso, os trancamos nas cadeias para “esquecermos” de nossa patologia social. Esse tom surgiu em algumas indignações, mas com um certo cuidado porque essa moçada está um pouco assustada com a “revolta dos burros”.

Quase obscuros: o que vem a ser essa “revolta dos burros”? Primeiro um reparo geopolítico mais amplo. Com a vitória de Trump, a inteligência pública começou a falar de novo em populismo. O segredo do Trump é ele falar o que o povo americano “burro” pensa. Os “burros” que falam inglês. A inteligência pública há muito tempo está alienada do “povo”, entrincheirada nas universidades e nas redações da mídia, falando sempre a mesma coisa: “como esse povo é burro e fala que bandido bom é bandido morto?”

A inteligência pública está de costas para o povo comum e preocupada com sua carreira e seu sucesso nas redes sociais. Avancemos um pouco mais nesses argumentos obscuros.

Pois é. Os populistas atuais crescem na mesma medida em que insistimos em pensar que vivemos uma “revolta dos burros”, mesmo que não digamos dessa forma explícita. A inteligência está tão acostumada com queijos e vinhos que esquece o tal do povo.

Os populistas crescem na mesma medida em que os “burros” sentem que o sistema político profissional e os inteligentes não estão nem aí pra eles. Por isso sentem que os inteligentes “só defendem os bandidos”. Um adendo: existe “burro” preto e pobre e “burro” branco e rico, ok?

Vamos “ouvir os burros” um pouco? Pelo menos imaginar que podemos ouvi-los. Quem sabe essa “revolta dos burros” pode indicar algo importante por detrás?

Eu arriscaria dizer que esses “burros” se sentem abandonados pelo Estado e pela inteligência pública de forma crassa no seu dia a dia. Esquecidos em seus impostos, acharcados por uma burocracia assassina e destruidora de qualquer iniciativa profissional que não seja apenas viver de salário e “direitos trabalhistas”, em suas filas da saúde e do transporte público. Escolas são um lixo. Andam com medo nas ruas. E não dá pra convencer ninguém que de fato pode ser assaltado ou morto por um bandido de que Foucault tem razão e que quando você é assaltado, você é o bandido, e o bandido é a vítima. Risadas?

Abandonados a sua solidão de “cidadãos honestos” (atenção! Os inteligentinhos acham que ninguém é mais honesto do que um traficante de drogas), “os burros” sentem que seu esforço cotidiano para viver dentro da lei, cuidando de suas famílias (mas que coisa mais classe média, não?) não tem nenhum valor. E estão aprendendo a dizer o que pensam. Ai virá a “revolta dos burros” de carga.


Será que a direita agora emplaca um Presidente?


Pelo que se vê hoje, parece que a direita vai ter algumas opções de escolha nas eleições presidenciais de 2018. Tomara. Já chega desses zumbis do PSDB – Aécio, Serra e Alckmin – serem as únicas opções para se votar no menos pior.

Bolsonaro, Caiado, Magno Malta e, pelo que dizem, Doria (é muito cedo, eu sei, mas dizem) são hoje virtuais candidatos a Presidente da República.

Bolsonaro, embora seja um palhaço que faz mais mal que bem à direita, não deve ser desprezado - há quem goste -, muito embora a sua obsessão pela candidatura bata de frente com as pretensões dos partidos por onde anda perambulando; Caiado é fortíssimo, já começou a campanha e conta com o valioso auxílio do não menos importante Onix Lorenzoni; Magno Malta, do PR, desponta também como um candidato forte pela sua facilidade de expressão, muito bem vista pelo eleitorado que acompanhou o processo de impeachment da Dilma, pelo qual ele foi um dos maiores batalhadores, e Doria, como eu disse, é prematuro e uma incógnita, pois tudo vai depender do seu sucesso como prefeito de Sampa.

Eu gostaria imensamente que todos esses confirmassem suas candidaturas.


Mais uma pérola de um idiota que se diz filósofo - educadíssimo


Jaques Wagner, além de ladrão, golpista

Jaques Wagner, durante o seu discurso no Encontro Estadual do Muda PT, realizado neste sábado (14/01/2017), em Lauro de Freitas.


video

Colômbia prende ex-senador por ter sido subornado em obra da Odebrecht

Vejam que a Colômbia não tem contemplação. Para início de conversa, vai logo prendendo, antes do julgamento. E o ex-senador corrupto foi preso quando almoçava num restaurante de luxo. Quando o policial lhe exibiu o mandato, pensou que fosse a conta da refeição. E saiu sem pagar a despesa. Carlos Newton

O Tempo

O ex-senador da Colômbia Otto Nicolás Bula foi detido neste sábado por suspeita de receber suborno da Odebrecht, informou neste domingo o Ministério Público colombiano por meio de sua conta no Twitter. Bula, governista do Partido Liberal, será acusado pelos crimes de suborno e enriquecimento ilícito, segundo o Ministério Público.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que a Odebrecht pagou US$ 788 milhões em subornos em 12 países da América Latina e da África. Na Colômbia, um documento divulgado pera Procuradoria Geral mostra que foram mais de US$ 11 milhões de propina entre 2009 e 2014.

A detenção de Bula é a segunda que acontece na Colômbia por causa de corrupção em contratos com a empreiteira brasileira. Na última quinta-feira, o ex-vice-ministro de Transporte Gabriel García Morales, que exerceu o cargo durante o governo do ex-presidente Álvaro Uribe, foi detido. Ele é suspeito de facilitar o acesso da Odebrecht à construção do setor 2 da Estrada do Sol, um trajeto de mais de 500 km que liga o centro do país à Costa do Atlântico e ao Caribe.


Europa coberta de neve no dia 11 de janeiro de 2017: Deve ser o aquecimento global...


Obama, o Nobel da Paz, armou o Leste Europeu: O que Trump e Putim podem fazer?

Deu no site Fort Russ

No dia 6 de janeiro, centenas de tanques, caminhões e outros veículos militares dos EUA foram descarregados no porto alemão de Bremerhaven. O navio de transporte “Resolve” entregou a carga como parte do descolamento do grupo da 3ª Brigada Blindada de Combate, integrante da 4ª Divisão de Infantaria, para a Europa Oriental. No dia 8 de janeiro, chegaram carregados à costa alemã mais dois navios de transporte dos EUA, o “Freedom” e o “Endurance”.

Em Bremerhaven, os veículos militares foram transferidos a vagões e transferidos para seus locais de destino, atravessando Alemanha e Polônia. Segundo as Forças Armadas Unificadas da Alemanha [Bundeswehr], o transporte dessas forças militares exigiu 900 vagões, numa cadeia de 14 km de comprimento total.

O Pentágono não informou sobre o destino de suas tropas em território europeu, mas especula-se que os soldados norte-americanos foram sendo levados primeiro a Romênia, Bulgária e Lituânia.

Os planos de Washington para instalar uma brigada blindada na Europa Oriental foram divulgados em abril do ano passado. Segundo o comandante do EUCOM (Comando Europeu das Forças Armadas/European Command of the US Armed Forces), general Philip Breedlove, trata-se de uma reação contra as políticas “agressivas” do Kremlin. No papel, o plano dos EUA parece impressionante: devem ser deslocados para o leste da Europa 4.200 soldados, 250 tanques, howitzers e veículos militares, bem como 1.700 outros veículos de transporte.

A decisão de deslocar essa 3ª brigada para a Europa custou muito cara ao Pentágono. A Casa Branca anunciou que o deslocamento planejado de mais armas e equipamentos para a Europa, para 2017, custaria mais de $3,4 bilhões. Esse número é quatro vezes mais alto que o previsto no orçamento de 2016.

A nova brigada será diferente das duas outras já estacionadas pelo Exército dos EUA na Alemanha e na Itália. Não serão construídos mais alojamentos na Polônia, Romênia, Bulgária ou nos países do Báltico. O pessoal e o equipamento dessa brigada serão trocados a cada nove meses e fracionados em unidades melhores que cobrirão, rotativamente diferentes países. Assim fazendo, Washington insiste que não estaria agredindo a Lei OTAN-Rússia de 1997, pela qual a aliança estaria impedida da instalar “forças de combate substanciais” na Europa Ocidental.

Os planos do Pentágono provocaram forte reação do Kremlin. O representante permanente da Rússia na OTAN, Alexander Grushko, declarou que “estão cada vez mais complicando relações já muito difíceis” entre Rússia e OTAN. O enviado da Rússia caracterizou as intenções dos líderes militares dos EUA como “mais um passo na direção de reforçar a transição da OTAN na direção de esquemas de segurança cada vez mais confrontacionais”.

Esses planos serão modificados quando Donald Trump assumir o poder? Como a Rússia pode responder aos reforços para a OTAN na Europa Oriental?


Breno Altman, “estrategista” do PT, propõe horário sindical gratuito na TV e proibição de bancos privados

O Antagonista repercutiu uma notícia do Estadão informando que os “melhores quadros” do PT estão elaborando os documentos que serão apresentados no 6° Congresso do partido.

Um desses “melhores quadros” é Breno Altman, acusado pela Lava Jato de ter negociado a propina de 12 milhões de reais para Ronan Maria Pinto.

Breno Altman é o responsável pela “Estratégia” do PT.

Segundo o Estadão, ele “sugere a elaboração de um novo programa partidário que serviria de base para um eventual novo governo petista, com propostas como a proibição de bancos privados, limites regionais para propriedades rurais, desmilitarização da polícia, descriminalização do aborto, mandato de 8 anos para juízes dos tribunais superiores e a criação de uma Lei de Meios com um Fundo de Defesa da Liberdade de Imprensa e o horário sindical gratuito na TV”.

Bom, essa josta nem precisaria de comentários, mas um Fundo de Defesa da Liberdade de Imprensa vinculado a uma Lei de Meios é um autêntico oximoro, de tão absurdo. Isso sem falar no horário sindical gratuito na TV e na proibição de bancos privados.

Seu Breno, vá...


3 X Sponholz




sábado, 14 de janeiro de 2017

Lula e Cunha guardaram diamantes recebidos por falcatruas na África em cofres no Uruguai e Portugal

IstoÉ

A socialite Maria Christina Mendes Caldeira, de 51 anos, sempre viveu um conto de fadas. Filha de empreiteiros, nasceu em berço de ouro. Rica, sempre falou o que quis. Não tem papas na língua. Nunca lavou uma louça, pegou um ônibus ou precisou trabalhar para sobreviver. Cresceu em mansões luxuosas, estudou em escolas caríssimas e viveu cercada por reis e rainhas pelo mundo afora. Até que, em 2004, sua vida mudou. Para pior, claro. Virou um inferno. Conheceu o então deputado Valdemar Costa Neto, que era presidente nacional do PP (hoje PR), com quem se casou. A festa foi num mirabolante cassino em Las Vegas. Valdemar recebia milhões em propinas do mensalão e gastava fortunas em jogatina. O casamento tinha tudo para dar errado. E deu. Maria Christina foi aos poucos deixando as páginas de sociedade para começar a freqüentar noticiosos sobre corrupção em política ou até matérias policialescas.

Valdemar e Maria Christina ficaram casados três anos. Nesse período, ela foi anotando tudo. Dinheiro que o marido recebia de propinas, de quem recebia, sua relação espúria com o então presidente Lula, com os aliados corruptos do PT. Fez um dossiê de Valdemar. Quando o marido caiu nas malhas do mensalão, acusado de ter recebido R$ 40 milhões do PT e embolsado pelo menos uns R$ 10 milhões, Maria Christina, já separada de Valdemar, foi depor no Congresso contra ele. Levou debaixo do braço o dossiê contra o ex-marido. Os dois passaram a se odiar. Trocaram juras de vingança pela imprensa. Maria ajudou a condenar o ex-presidente do PP. Valdemar pegou sete anos e dez meses de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cumpriu uma parte e outra ficou com tornozeleira em casa. Recebeu indulto do STF em 2015.

Nesse processo para que Valdemar obtivesse o perdão judicial, Maria Christina escreveu cartas a ministros do STF dizendo que o ex-deputado continuava ameaçando-a. Disse que um homem com uma arma a ameaçou na rua dizendo para ela “esquecer o passado”. Hoje Valdemar é um homem livre.

Livre, mais ou menos. Maria Christina continua nos seus calcanhares. Diz que Valdemar a ameaça, já fez dezenas de boletins de ocorrência policial contra ele. Valdemar retaliou e até a luz da casa onde Maria Christina morava ele mandou cortar. Maria, assim como Valdemar, ficou anos fora do noticiário. Até que na semana passada Maria Christina reapareceu dizendo que estava de viagem marcada para os Estados Unidos, onde iria morar, com nova identidade e proteção do Departamento de Estado da Justiça dos EUA. Para surpresa geral, disse que tinha dossiês contra o ex-marido, contra o ex-deputado Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara) e contra o ex-presidente Lula.

Uma bomba. Disse que Cunha e Lula “ganharam” diamantes em negócios escusos que fizeram na África e os guardaram em cofres em Portugal e no Uruguai. Pode ser uma outra viagem de Maria Christina. Ela disse ter provas. Afirma que ofereceu os documento às autoridades brasileiras, mas ninguém quis garantir sua vida caso divulgasse a papelada toda contra Valdemar, Cunha e Lula. Por isso, ofereceu a documentação aos americanos, que prometem, segundo ela, analisar os dossiês. Ofereceram-lhe segurança. Pediram que ela fosse morar nos Estados Unidos, lhes entregasse os papeis.

Recentemente, documentos da Odebrecht sobre a corrupção no Brasil e em outros 12 países foram entregues ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, precipitando o acordo de leniência da empreiteira com o governo americano, suíço e brasileiro. A Odebrecht pagou R$ 7 bilhões em propinas no mundo todo e vai ter que pagar multas aos governos dos 12 países para livrar os executivos de cadeia nos EUA.

Maria Christina já está há uma semana nos Estados Unidos. ISTOÉ tentou falar com ela, mas seu celular não atendeu. Sua advogada Maristela Basso também não deu retorno às ligações. Mas o certo é que Maria Christina faz relatos como se Lula e Cunha tivessem agido como Indiana Jones na África, recebendo diamantes como parte das propinas por negócios no Continente. Todo mundo sabe que Lula se empenhou até os dentes para fazer negócios em países africanos, beneficiando empreiteiras como a Odebrecht, que tem grandes interesses por lá, como em Angola e Moçambique, onde se encontram os maiores diamantes do mundo. O ex-deputado Eduardo Cunha, recebeu milhões em propinas em Benin, também na África, onde é acusado de ter intermediado a venda de um campo de petróleo para a Petrobras. Graças à isso está preso na Operação Lava Lato em Curitiba.

Segundo Maria Christina, Lula e Cunha teriam guardado esses diamantes em cofres no Uruguai e Portugal. Ela disse ter provas disso. Temendo morrer, afirmou ter guardado os documentos em cinco países diferentes. Só para lembrar, Lula é investigado pela Operação Lava Jato como suspeito de ter negócios no Uruguai. A Operação Lava Jato investiga se ele é dono de uma mansão em Punta Del Este, cidade uruguaia onde estão grandes cassinos latino-americanos. Era lá que o ex-marido de Maria Christina ia jogar com freqüência no tempo em que o PT lhe dava grandes quantias para supostamente abastecer deputados do PP e PR que votavam favoravelmente ao PT na Câmara.

Maria Christina é apenas mais uma mulher que pode abrir uma nova frente de investigação a envolver políticos. Antes dela, Cláudia Cunha ajudou a detonar o marido, Eduardo Cunha. Ela gastou R$ 1,8 milhão em cartões de crédito com o dinheiro de propina recebido pelo marido. Comprava sapatos Louboutin, bolsas Vuitton e torrava milhões de reais em hotéis de luxo nos EUA, Europa e Dubai. Já a mulher do ex-governador Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, comprava centenas de jóias. Gastou mais de R 6 milhões em brilhantes, como um colar de R$ 600 mil. No caso de Maria Christina, a evidência poderá ser um colar de diamantes.


Acabou o Oba Obama

Triste final feliz

Guilherme Fiuza

Donald Trump ainda não estreou, mas o pranto desesperado de Hollywood em memória de Barack Obama já é o Oscar de melhor comédia. Não se sabe ao certo o que o agente laranja vai aprontar no poder. O que se sabe e se viu foram os lábios trêmulos e a voz embargada de Meryl Streep defendendo um governo marqueteiro, populista e medíocre. Cada um com a sua comoção.

Hollywood acredita em Robin Hood. Ou, mais precisamente: metade quer acreditar, e metade finge que acredita. A Meca do cinema conhece o poder de uma lenda — tudo está bem se acaba bem (com bons personagens e muita emoção). Foi assim que alguns astros hollywoodianos ungiram Hugo Chávez e Nicolás Maduro como heróis dos pobres sul-americanos. O sangue derramado, a liberdade ceifada e a devastação econômica não entraram no filme. Não devem ter cabido no roteiro.

A lenda de Obama começa com um final feliz. Coisa de gênio, sem precedentes. No que pôs os pés na Casa Branca, o presidente foi agraciado com o Nobel da Paz — o primeiro Nobel pré-datado da história. Quem haveria de contestar a escolha, diante do sorriso largo, da elegância e do alto astral do primeiro presidente negro dos EUA, exorcizando a carranca do Bush?

O problema de uma história que começa com final feliz é você ter que assistir ao resto de olhos fechados, para não estragar. Foi o que fez a claque mundial de Barack Obama nos oito anos que faltavam.

Os críticos dizem que foi um governo desastroso. Inocentes — não sabem o que é uma temporada com o Partido dos Trabalhadores. O Partido Democrata fez um governo medíocre, recostado à sombra do mito. E para corresponder à mitologia, aumentou alegremente as taxações e a dívida pública (100%), porque é assim que faz um Robin Hood. A diferença é que na vida real há uma floresta de burocratas no caminho, engordando com o dinheiro dos pobres. Uma Sherwood estatal.

Esse populismo perdulário, de verniz progressista, ancorado num líder identificado com os menos favorecidos — receita conhecida dos brasileiros — costuma ser muito saudável para quem está no poder. O problema é o bolso do eleitor, que não se comove com presidente fanfarrão, canastrão ou chorão. As caras e bocas de Obama devem ter enchido os olhos de Meryl Streep — mas, quando esvaziam o bolso do contribuinte, não tem jeito. A economia americana engasgou com as prendas estatais do presidente bonzinho, e as urnas mandaram a conta.

Só que a lenda está a salvo disso tudo, e a claque não se entrega — como foi visto na histórica cerimônia do Globo de Ouro. O transtorno da elite cultural americana é tal, que os bombardeios de Obama ficam parecendo chuva de pétalas — mesmo quando destroem um hospital. Um cara tão gente boa não pode ser um dos presidentes que mais agiram contra as investigações da imprensa no país — e claro que o megaesquema de espionagem do caso NSA foi sem querer. Barack é do bem.

Dizem que Donald Trump vai provocar uma guerra mundial. É o chilique com efeitos especiais. Mas se isso acontecer, se o planeta virar mesmo um cogumelo, a claque do Obama estará de parabéns. Graças a ela, aos patrulheiros das boas maneiras ideológicas, aos gigolôs da virtude, enfim, a toda essa gente legal que vive de industrializar a piedade, o bufão alaranjado emergiu. Ele é a resposta dos mortais à ditadura dos coitados.

Só um caminhão de demagogia sobre imigrantes, impondo o falso dilema da xenofobia, poderia transformar um muro em protagonista eleitoral na maior democracia do mundo. Xenófobos são sempre retrógrados — a civilização foi feita de migrações. Mas imigrantes e refugiados ganharam passaporte diplomático no mundo da lua dos demagogos, onde sempre cabe mais um.

Demagogia atrai demagogia — em igual intensidade e sentido contrário. Aí veio o troco do agente laranja, e agora Meryl Streep está fingindo que a escolha dos americanos discrimina Hollywood. É de morrer de pena.

É duro ver artistas esplendorosos fazendo papel de tolos com cara de revolucionários. Resta aos fãs fazer como eles: fechar os olhos para não estragar a história. E resta ao mundo parar de mimar os coitados profissionais. Eles custam caro.

Obama se despediu repetindo o “Yes, we can”. Não, companheiro. Não podemos mais viver de slogans espertos e governantes débeis. A paz mundial não avançou um milímetro enquanto o Nobel pré-datado engatinhava em seu gabinete, entre outras gracinhas ensaiadas. A Faixa de Gaza e o Estado Islâmico não têm a menor sensibilidade para as atrações da Disney.

Obama disse que Lula era o cara. A Lava-Jato provou que era mesmo. Cada um com sua lenda. E você com a conta. Mas não fique aí parado. Faça como a Meryl: chore.


Lula é o maior ladrão do mundo, segundo o Google


Juiz afasta por falta de qualificação seis vice-presidentes dos Correios indicados pelo governo Temer

Ruth de Aquino

Um juiz federal em Brasília mandou afastar seis vice-presidentes dos Correios. Por falta de qualificação técnica. Em outras palavras, por incompetência para o cargo. Quem indicou os seis dos oito vice-presidentes (e para que os Correios precisam mesmo de oito vice-presidentes?) foi a Casa Civil do presidente Michel Temer. Quem pediu o afastamento foi a Associação dos Profissionais dos Correios, cansada de pagar o pato pelo aparelhamento da empresa.

A base do pedido foi a recente Lei das Estatais, em vigor desde junho do ano passado. Como o Brasil é, historicamente, um país que valoriza o Q.I. (Quem Indica), foi necessário aprovar uma lei que estipula o óbvio. Tenta-se evitar, nas empresas estatais, as indicações políticas que beneficiam o amiguinho, o afilhado ou o parente de alguém importante ou muito chegado, numa troca amoral de favores. Diz o texto da lei que diretores de estatais devem ter “reputação ilibada, notório conhecimento mediante comprovação de experiência profissional, formação compatível com o cargo e ficha limpa”. Não deveria ser sempre assim?

Nenhum desses seis vice-presidentes dos Correios, eleitos em agosto, comprovou qualificação técnica. Não foram analisados seus currículos. O Conselho dos Correios pediu a análise, mas não foi ouvido. Maria Inês Capelli, presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, foi ouvida pelo Bom Dia Brasil: “O prejuízo [dessas indicações] estamos vendo agora. [Os Correios são] uma empresa deficitária, por muito tempo reconhecida por sua alta credibilidade e pelo serviço que prestava. O aparelhamento da empresa é a causa maior de sua decadência”.

No fim, os Correios convocam seus próprios funcionários a cobrir o rombo com descontos no contracheque ou com a adesão a programas de demissão voluntária. Em 2015, o prejuízo dos Correios passou de R$ 2 bilhões. No ano passado, chegou perto: R$ 1,9 bilhão no vermelho. Agora, os vice-presidentes dos Correios prometem recorrer da sentença do juiz Márcio de França Moreira. Afirmam não ter tido chance de se defender. Não sabemos se o afastamento é justo ou não. Mas os Correios não estão sozinhos no apadrinhamento de incompetentes nas estatais.

Se algo ficou claro para os brasileiros no expurgo da Lava Jato é que a politicagem estimula a corrupção. O que aconteceu com Petrobras, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil – e por aí vai – foi uma injustiça com o país e com o trabalhador. A imagem do Brasil sofre lá fora. Pela primeira vez, passamos a China num ranking internacional de propina, elaborado nos Estados Unidos por um site especializado em legislação anticorrupção. Os três campeões nesse ranking são Brasil, China e Iraque.

O preço da má gestão, aliado à cobrança de subornos, é muito alto. O desemprego vai aumentar em 2017. Será o pior quadro entre as 20 maiores economias no mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho. Mais de 1,2 milhão de brasileiros perderão seu emprego. Ao todo, teremos 13,6 milhões de desempregados, ou 12,4% da população com idade para trabalhar.

Os Correios não têm concorrente. Estão sozinhos no mercado. Precisava ser uma empresa tão deficitária e crivada de denúncias de desvio e fraudes, também no fundo de pensão, o Postalis? Precisava ter gestores nomeados por partidos políticos, para encher as burras individuais de dinheiro? Todos devem lembrar que o escândalo do mensalão começou com a CPI dos Correios, em 2005. Um vídeo mostrou um executivo dos Correios, Maurício Marinho, negociando propina com empresas e agindo em nome do deputado Roberto Jefferson. Jefferson cunhou o neologismo “mensalão”. Seu depoimento derrubou o ministro-chefe da Casa Civil de Lula, Zé Dirceu.

Governos após governos ignoram o anseio da sociedade para acabar com os cabides enferrujados de empregos, onde se penduram marajás não qualificados para os cargos. Isso não quer dizer que a privatização resolva os males da incompetência. Uma empresa privada precisa de boa gestão tanto quanto uma estatal. O Q.I. pode levar à falência empresas privadas.

O presídio de Manaus é um exemplo drástico de como uma “semiprivatização” malsucedida serve para disfarçar a omissão do Estado. Era o Estado que deveria ter saneado as condições carcerárias explosivas em Manaus, detectadas desde 2013. É o Estado que precisa agora dar as devidas respostas para a segurança dos presídios, em vez de defender o indefensável: que se gravem as conversas entre advogados e presos. Michel Temer ainda não percebeu os males da incompetência em seu Ministério. Como Dilma Rousseff, cercou-se de vários ministros que podem afundá-lo.


Gilberto Kassab anuncia que banda larga ilimitada NÃO acaba este ano

O bunda larga mudou de ideia sobre a banda larga depois da receptividade "calorosa" que a notícia teve.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Duas do Sponholz



Gilberto Kassab anuncia que banda larga ilimitada acaba este ano

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, disse que o fim dos planos automáticos com franquia ilimitada de acesso a dados em banda larga fixa virá no 2º semestre de 2017.

Ou seja, antes do ano novo, os usuários precisarão pagar um valor extra caso queiram navegar além de um determinado limite.

Levou quanto da NET?

“Adevogados” dizem que queimar ônibus é uma das expressões da luta pelo direito humano ao transporte público

Nero, esperando o ônibus
Eu já vi coisas absurdas, mas essa bate recordes. Três “adevogados”, todos pós-graduados em Direitos Humanos (aliás, existe algum direito alienígena?) resolveram produzir uma pérola digna de constar nos mais abalizados manuais de imbecilidade explícita. Lógico que eu não vou publicar a coisa inteira – quem quiser vá ao Justificando, associado ao infame Carta Capital –, mas vai um resumo.

Um ônibus foi queimado na cidade de Teresina, em 09 de janeiro de 2017, durante as movimentações contra o aumento da tarifa para R$ 3,30. Desocupados, bandidos, vândalos foram os adjetivos usados pelo representante do SETUT (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina) para se referir aos manifestantes em entrevista à mídia local.

A população reagiu e nas redes sociais chamou atenção para a questão central das manifestações: a violação do direito humano ao transporte público na cidade e com a hashtag #vandalismoemthe, denunciaram que #vandalismoemthe é “ir espremido na porta de um ônibus porque precisa chegar a tempo no trabalho ou na escola”; “é ter que pagar R$ 3,30 em um coletivo sem ar condicionado, sem segurança e sem porta”; “é os empresários enriquecerem e os passageiros andarem se espremendo nos ônibus com o dobro da lotação”; “é você ter que esperar 1h40min toda noite um ônibus para ir da universidade para casa”; “é você não ter mobilidade urbana”; “é as paradas de ônibus e os percursos mudarem sem uma discussão com os trabalhadores”.
(...)
Queimar ônibus em Teresina, portanto, é uma das expressões da luta pelo direito humano ao transporte público, que é, em suma, um imperativo para garantia do direito à cidade. O ônibus queimado é um símbolo da indignação dos corpos incendiados diariamente dentro e nas paradas dos ônibus precários e lotados na cidade, e sua fumaça não pode servir de cortina para esconder as arbitrariedades do Poder Público. A avenida Frei Serafim ocupada por estudantes e trabalhadores que reivindicam um transporte público significa a permanência de uma indignação contra a violação de direitos e é uma expressão legítima da construção do direito à cidade que nasce na rua.

A coisa, além de tudo, foge à lógica. Um “símbolo da indignação” é, para os rábulas, um troféu, uma vitória e não menos um ônibus na rua, portanto, menos transporte, e mais custos, que obviamente serão repassados aos usuários.

Esse artigo também é um símbolo. Vocês sabem de quê...


“ONG humanista” comete crime de guerra na Síria

 O dia que fizerem um pente fino nas “ONGs humanistas” daqui, não sobra uma!

Deu no Réseau Voltaire

Os jihadistas que poluíram, em 24 de Dezembro de 2016, as fontes do Barada — o rio que alimenta de água os mais de 7 milhões de habitantes de Damasco e da sua região — e fizeram explodir as canalizações, publicaram uma declaração fixando as suas condições. Assim, 5,6 milhões de civis sírios estão totalmente privados de água corrente há duas semanas. As autoridades conseguiram distribuir à população, uma a duas vezes em quinze dias, água em caminhões-cisternas, à razão de 50 litros por família. Excetuando os que puderam encher caixas d’água para as suas necessidades sanitárias e de cozinha, os habitantes têm que comprar água mineral engarrafada para o seu consumo de água potável.

Segundo a “Declaração de Barada”, os jihadistas só deixariam os engenheiros limparem e repararem as fontes no Rio Barada se o Exército Árabe Sírio e o Hezbolla puserem termo aos combates (quer dizer, se a República Árabe Síria capitular).

Numa carta dirigida ao Conselho de Segurança, a Síria denunciou a planificação desta operação pelas potências que apoiam e armam os jihadistas. Entre os sete grupos jihadistas signatários do documento figuram os “Capacetes Brancos” (“White Helmets”). Esta “ONG humanitária” foi criada e é dirigida por um oficial do MI6, James Le Mesurier, promovido pela rainha Elisabeth, em 2016, ao grau de oficial Império Britânico. Essa organização encharca os jornalistas ocidentais com imagens chocantes destinadas a provar “os crimes do regime”, e sobre as quais foi muitas vezes demonstrado não serem mais que puras encenações propagandísticas.

A participação desta “ONG humanitária” nos combates já foi comprovada. O Ministério de Defesa da Rússia descreveu-a como “próxima da Al-Qaeda”.

Foi anunciado nesta quarta-feira que o governo sírio chegou a um acordo para que o Exército entre em uma região próxima a Damasco controlada pelos rebeldes para restabelecer o abastecimento de água na cidade, informou o governador provincial nesta quarta-feira (11).

O suposto acordo foi alcançado após semanas de combates na região, 15 quilômetros a noroeste de Damasco, que colocaram em risco a frágil trégua decretada em 30 de dezembro.

Os “Capacetes Brancos” são financiados pela Alemanha, pela Dinamarca, pelos EUA, pela França, pelo Japão, pelos Países Baixos e pelo Reino Unido.

A 19 de outubro de 2016, o presidente da França, François Hollande, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault, e a presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros da Assembleia Nacional, Elisabeth Guigou, receberam no Eliseu uma delegação dos Capacetes Brancos, incluindo o presidente do Comité de Aleppo, autoproclamado “prefeito de Alepo”, Hagi Hasan Brita.

A França tinha apresentado, em vão, a candidatura dos Capacetes Brancos ao Prêmio Nobel da Paz. De acordo com o Direito Internacional, o fato de se privar civis de água é considerado como crime de guerra.


Brasil é recordista em corrupção também nos EUA

A Foreign Corrupt Practices Act (Lei de Práticas de Corrupção no Exterior) é uma lei federal norte-americana, promulgada em 1977, que visa combater a corrupção transnacional por determinadas pessoas ou entidades relacionadas aos EUA.

O pesquisador voluntário que compila a Lista de Investigações Corporativas para Blog da FCPA voltou a tabular todos os países mencionados ou relatados em relação às 81 empresas incluídas na lista mais recente. A contagem de cada país é exata até 31 de dezembro de 2016.

Pela primeira vez desde que começamos a publicar o Country Count, há dois anos, a China não está no topo da lista. Desta vez deu Brasil com 19 menções em conexão com as investigações em curso FCPA.

Os países mais mencionados foram:

Brazil - 19
China - 17
Iraq - 8
Kazakhstan - 6
India - 5
Angola - 4
Nigeria - 4
South Africa - 4
Uzbekistan - 4
Azerbaijan - 3
Kuwait - 3
Syria - 3

Houve também 14 países com duas investigações divulgadas e 28 países com uma investigação divulgada.


“Ó Maria, já meteste a foda?”

A Feira da Rês, conhecida localmente como “Feira da Foda”, realiza-se nos dias 12 e 21 deste mês na freguesia de Pias. Tendo como espaço o Largo da Senhora do Encontro, este certame dedicado à comercialização de gado caprino e ovino decorre sempre antes da Páscoa, sendo muito procurado pelas gentes do concelho e localidades vizinhas.

No recinto, a manhã anima-se com a presença de alguns vendedores ambulantes e muitas pessoas que vem “espreitar” os ovinos e caprinos para “decorar” a mesa na quadra pascal. Entre as conversas e negociações, contam-se muitas histórias que fazem parte da identidade local e da memória coletiva dos monçanenses.
À baila, vem sempre a origem do nome de um dos pratos mais típicos e caraterísticos da culinária local. O Cordeiro à Moda de Monção, conhecido como “Foda à Moda de Monção”, cujo festival realiza-se anualmente no mês de outubro.

A história:

“Os habitantes do burgo, que não possuíam rebanhos, dirigiam-se às feiras para comprar o animal. E, como em todas as feiras, havia de tudo, bons e maus. A verdade é que os produtores de gado, quando os levavam para a feira queriam vendê-los pelo melhor preço e, para que parecessem gordos, punham-lhes sal na forragem, o que os obrigava a beber muita água.

Na feira, apareciam com uma barriga cheia de água e pesados, parecendo realmente gordos. Os incautos que não sabiam da manha compravam aqueles autênticos “sacos de água” e, quando se apercebiam do logro, exclamavam à boa maneira do Minho: “que grande foda!”

O termo tanto se vulgarizou que o prato passou a designar-se localmente como “Foda à Moda de Monção”. De tal modo que é frequente, em alturas festivas com destaque para a quadra pascal, ouvir o povo exclamar em jeito brincalhão: “Ó Maria, já meteste a foda?”


Culto à personalidade: o mito Obama.

João Luiz Mauad

Abro o Facebook e vejo meus amigos postarem imagens enaltecendo Obama e sua família. Ligo a TV e noto que a imensa maioria do noticiário dá mais destaque ao presidente que sai do que ao que entra. A notória Globo News chegou ao ineditismo de transmitir, ao vivo, um discurso de despedida (?!), no qual, entre outras coisas, o presidente faz declarações de amor à primeira-dama. Tudo calculado, como num conto de fadas. Mas nunca é demais lembrar que a América não é uma monarquia, onde esse tipo de folhetim faria algum sentido.

É difícil transmitir a escala em que Obama – o ícone – tem dominado as atenções mundo afora e, particularmente, como não poderia deixar de ser, em Pindorama. O presidente que sai não é meramente popular, nem é apenas um político popstar. Obama tornou-se outra coisa aos olhos do mundo. Ele é agora um ídolo. E como todos os ídolos, sua imagem está em toda parte.

A verdade é que Obama inspirou uma devoção mais apaixonada do que qualquer outro político contemporâneo. As pessoas gritam e desmaiam em seus comícios, cujos discursos são preparados com extremo cuidado. Alguns usam camisetas proclamando-o “The One”. Um editor da Newsweek chegou ao cúmulo da adulação ao descrevê-lo como “acima do país, acima do mundo; Uma espécie de Deus.”

Como bem ressalta o jornalista Roberto Dias, no entanto, “sem a mediação de lentes e microfones, porém, o saldo de seu governo parece menos iluminado do que a imagem pessoal. Nove anos depois, é difícil enxergar um mundo que tenha andado no rumo daquele desenhado pelo senador em 2008. Pode-se dizer até que está mais distante – ainda mais intolerante, ainda mais protecionista, ainda mais perigoso. Dotado dos maiores poderes conferidos a um humano, ele não conseguiu realizar algo bem específico como fechar a prisão de Guantánamo, símbolo da era Bush que prometera desmontar. A falta de gosto pela pequena política cobra seu preço.”

Ainda que seu governo tivesse sido um fragoroso sucesso, esse culto à personalidade de Obama seria algo perigoso e indesejável, pelo menos àqueles que prezam a liberdade e a democracia, regidas por leis e instituições, e não por ungidos e luminares. Não por acaso, durante a Guerra Fria, os americanos costumavam criticar os países comunistas pelo culto à personalidade que cercava seus líderes, cuidadosamente planejado pelos respectivos ministérios de propaganda (Agitprop). Mas a Cuba castrista, a China maoista e a Rússia stalinista não têm nada a ver com a América de Obama, dizem seus seguidores. Claro!

Concedamos a ele o benefício da dúvida. Talvez Obama não tenha incentivado o culto à personalidade que o rodeia. Talvez tudo isso seja resultado de sua personalidade forte e carismática. Mas ele por certo não o desencorajou. Como candidato, embalado pelo slogan “yes, we can!”, prometeu “mudar o mundo”, “transformar este país” e até mesmo “criar um novo Reino aqui na terra”. Como presidente, ele continuou acrescentando detalhes a essa ambiciosa lista de desejos. Prometeu criar milhões de empregos, curar o câncer, buscar um mundo sem armas nucleares, frear o aquecimento global e, last but not least, reduzir as desigualdades. Infelizmente, a realidade é sempre mais poderosa que as nossas vontades e desejos, mas os fracassos do ídolo não mudaram a sua imagem imaculada perante os fiéis.

Como bem lembrou Helen Sealrs, em quase tudo esse culto à Obama se parece com o que aconteceu ao famigerado Che Guevara, cuja imagem – legada à posteridade pelo fotógrafo Alberto Korda -, era apenas um rosto, totalmente apartado de sua vida política, usada para decorar os quartos da juventude ocidental, sempre ávida por revoluções que pudessem (ora, ora!) “mudar o mundo”. Poucos dos que possuíam o famoso poster sabiam muito sobre o real Che Guevara, mas tê-lo em sua parede sinalizava que você era de alguma forma progressista e idealista. Com Obama, o progresso e o idealismo foram substituídos pela esperança e pela fé, senão pelo empoderamento – essa palavra horrorosa que, infelizmente, tomou conta dos corações e mentes de muita gente. Para completar, hoje não são só os adolescentes imaturos e radicais que se identificam com esta mensagem quase religiosa e transformaram Obama em algo que, definitivamente, ele não é.

Esperemos que toda essa devoção seja passageira…


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Beltrame, o falso herói, era apenas um corrupto com distintivo de delegado federal

Há alguns anos, andei perguntando a alguns conhecidos, moradores de favelas, se o tráfico tinha acabado mesmo e a resposta foi unânime: as “bocas” continuam exatamente nos mesmos lugares de antes e a única coisa que mudou foi a postura dos traficantes que passaram a não mais ostentar suas armas, o que, obviamente, evidencia uma grande fraude.

Carlos Newton

Como todos sabem, o vitorioso esquema de marketing político de Sérgio Cabral era basicamente montado em cima da farsa das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e jamais teria obtido tanto sucesso se não tivesse a cumplicidade direta do secretário de Segurança, delegado federal José Mariano Beltrame. Sem a parceria dele, jamais teria havido o acordo com os traficantes, que retiraram suas tropas das comunidades “pacificadas” sem disparar um só tiro e sem que a Polícia efetuasse uma só prisão.

Movida pelas generosas verbas publicitárias do governo estadual, a mídia deu a maior força à farsa das UPPs e jamais procurou realmente apurar o que existia por trás dessa espantosa pacificação das favelas do Rio, que de uma hora para outra se transformaram em pontos turísticos, vejam a que ponto de insanidade chegamos.

LIBERANDO GERAL – Para conseguir o falso milagre, Cabral e Beltrame se acertaram com os chefões do tráfico, que passou a ser realizado mais discretamente e de preferência pelo sistema “delivery”, através dos motoboys que operam nas comunidades.

É claro que jamais se poderia imaginar que um delegado da Polícia Federal pudesse participar desse tipo de trama criminosa. Achava-se que a política de pacificação tinha realmente dado certo, pois nem mesmo os serviços de inteligência da Polícia Federal e das Forças Armadas foram capazes de detectar a armação ou, ao menos, levantar suspeitas sobre o estranho sucesso da iniciativa.

UM FALSO HERÓI – Em plena euforia das UPPs, já havia indicações de que Beltrame era um falso herói. Em dezembro de 2009 já denunciamos aqui no blog a armação da dupla Cabral/Beltrame, mas as denúncias eram recebidas como se fossem mais uma “teoria conspiratória”, porque outros governadores se animavam e até o governo Lula já falava em adotar as UPPs nacionalmente, era só que faltava.

Aos poucos, porém, o castelo começou a desmoronar, e em 22 de março de 2012 a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), fez uma representação à Comissão de Ética do governo Cabral, pedindo a exoneração de Beltrame por improbidade administrativa. A Adepol anexou provas de que Beltrame fora nomeado delegado federal irregularmente, no concurso público promovido em 1993, porque o prazo de validade já estava vencido. Além disso, Beltrame tinha sido classificado apenas em 896° lugar para um concurso cujo edital previa o preenchimento de apenas 200 vagas, e perdera todas as suas ações individuais, que já se encontram transitadas em julgado, inclusive no Supremo.

CADA VEZ MAIS IDOLATRADO – A denúncia da Adepol era procedente, mas não aconteceu nada. Pelo contrário, Beltrame continuou a ser cada vez mais idolatrado pelo falso sucesso das UPPs. Se tivesse se candidatado a deputado ou senador, seria eleito facilmente, mas tudo ia bem e preferiu esperar para sair candidato ao governo estadual.

Logo em seguida, veio à tona que Beltrame estava acumulando as elevadas remunerações de delegado sênior da Polícia Federal e secretário de Segurança. Embolsava mensalmente mais de R$ 60 mil reais, muito acima do teto do Supremo. Mas também não aconteceu nada. Afinal, tratava-se do Beltrame, que passara a ser tratado como um semideus pela mídia.

MAIS DENÚNCIAS – Embriagado pelo sucesso, Beltrame entrou de cabeça na corrupção e assinou contratos com o grupo Júlio Simões, passando a pagar R$ 3,3 mil mensais pela manutenção de cada carro da PM. O Ministério Público investigou a negociata e o juiz da 7ª Vara de Fazenda Pública, Marcelo Evaristo da Silva, transformou o ex-secretário em réu numa ação de improbidade que pede a devolução de quase 135 milhões de reais aos cofres públicos, acrescida de correção monetária.

Também aparecem como réus o governo estadual e duas empresas de Júlio Simões: a CS Brasil Transporte de Passageiros e Serviços e a JSL S.A, esta última acusada de fraude em licitações para a aquisição de viaturas da PM também na Bahia, que em 2009 resultou na Operação Nêmesis da Polícia Federal, com prisão de três coronéis, entre eles o ex-comandante geral da PM baiana. Ou seja, Beltrame operava em boa companhia, digamos assim.

Detalhe importante: no Tribunal de Justiça do Rio tramitam outras duas ações distintas, relacionadas a seis diferentes contratos feitos por órgãos do governo Cabral com o grupo Júlio Simões. Todos de compra e revisão de viaturas, que somados chegam a 1,2 bilhão de reais. Uma verdadeira festa da corrupção.

CAI A MÁSCARA – No convívio com a famosa turma do guardanapo, Beltrame também apossou a viver como novo rico e até mandava os dois filhos “al mare” no luxuoso iate de Cabral, conforme já mostramos aqui na TI. Na certeza da impunidade, passou a morar no Edificio Courchevel, na Rua Redentor, 230, em Ipanema, um luxuoso apartamento do empresário Fernando Magalhães Pinto, principal operador da lavagem de dinheiro de Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo,

Fernand0 Magalhães Pinto é réu no mesmo processo criminal de Cabral, pediu para fazer delação premiada e prestou uma série de reveladores depoimentos. Acaba de ser libertado, porque seu acordo foi homologado. Entregou tudo que sabe sobre o casal 20 da corrupção no Rio de Janeiro e não esqueceu de abordar seu íntimo relacionamento com José Mariano Beltrame, que ficou como 896º colocado no concurso para delegado da Polícia Federal, mas conseguiu o milagre de ser nomeado, e 20 anos depois conseguiria outro milagre na fraude da pacificação das favelas do Rio.