segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Dilma já pode ir à merda sem sustos

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República reservou R$ 5,6 mil para a compra de 20 coletes salva-vidas, com resistência mínima à tração de 400 kg. As peças custarão R$ 280,00 cada e possuem espuma flutuante fabricada em células fechadas de polietileno, de forma que mesmo sendo perfuradas não percam sua capacidade. Outros R$ 11,2 mil serão gastos na aquisição de 40 frequencímetros de pulso à prova d’água, com data e indicador do dia da semana.

Para completar a festa na piscina, a Presidência empenhou R$ 777,00 para a compra de 30 palmares para natação da marca Hammer e R$ 1,8 mil para a aquisição de 15 pares de nadadeiras da Speedo, com pala flexível, leve e flutuável, solado antiderrapante e sapata ajustável, adaptada a pelo menos 3 ou 4 tamanhos.

Total, R$ 19,4 mil.

Assim, quando alguém mandar Dilma à merda de barquinho, se não houver nenhum por perto, ela já pode ir nadando. E sem perder a hora...

Que decadência, Eike...

Rola por aí que a menina da foto, Francelle Pacheco Kloster, é a nova namorada de Eike Batista. Acontece que ela já passou na mão - e em outras coisas mais, suponho - de Maico dos Santos de Souza, o Gaguinho, o Jogador ou 2G, um dos chefes do tráfico de drogas no Complexo da Coruja, no Vila Lage, em São Gonçalo e, em junho do ano passado chegou a ser presa no cafofo do trafica depois que ele correu fugindo e a deixando para trás com outros dois comparsas. No imóvel, os PMs encontraram crack e carregador de fuzil. Ela foi flagrada com o computador de Gaguinho e uma identidade falsa dele.

Francelle e Gaguinho
A “Diabinha do Tráfico” - como é conhecida por conta de uma fantasia que usou em uma das festas dos integrantes da facção criminosa Comando Vermelho - foi libertada por decisão judicial alguns dias após sua prisão, mas continua respondendo ao processo por associação ao tráfico na 3ª Vara Criminal de São Gonçalo.

A gaúcha Francelle é filha de empresários e se mudou para Copacabana, na Zona Sul do Rio, onde ingressaria em um curso superior no ano passado, mas, pelo visto, mudou de ideia.

Quanto ao Eike, bem... um dia ele ainda acaba como olheiro do tráfico em um morro qualquer do Rio. Eu já vi tombos, mas como o dele, nunca!

Quando perguntar ofende

Vai aí um Romanée-Conti Magnum safra 2010 por 95 mil reais?

P.S.: Comprei o vinho para acompanhar um churrasco que fiz aqui em casa, de picanha de wagyu, raça de bovinos japoneses, mais conhecida pelo nome de kobe beef. Paguei a módica quantia de 555 reais por quilo...

Reconstruindo Olavo de Carvalho à minha moda

“Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio, exceto Olavo de Carvalho.”
John Donne, com a minha colaboração.

Não vou comentar o texto de Milton Valdameri que publiquei aqui, o “Desconstruindo Olavo de Carvalho”. Minha cabeça não anda lá grandes coisas para que eu me permita analisar como deveria uma crítica às confusões mentais de um “filósofo” tão problemático. Publiquei porque li o texto e achei interessante e corajosa a “heresia” de se contestar um sujeito que, de tão incensado, se acha deus. Como bem disse Rodrigo Constantino, “Olavo foi alçado ao patamar de ‘líder iluminado’ por seus seguidores, e isso o cegou.”

Não comento, mas gostaria de saber das olavetes iradas que se manifestaram através de comentários contra o Milton, se Olavo não erra. Gozado que o que elas mais disseram é que o Milton não tem a competência nem a dimensão para se atrever a contrariar as ideias do seu “mestre dos mestres”, mas nada ou quase nada foi dito sobre a crítica em si. Aliás, há muito tempo está claro para mim que esse séquito do Olavo na internet tem a mesma coisa na cabeça que qualquer petralha: nada. Não passam de uma patrulhinha teológica (Olavo, para eles, não tem ideias: é deus) dedicada a atazanar o juízo de quem ouse discordar do astrólogo.

Astrólogo sim, porque é uma profissão que Olavo exerceu, realizando até consultas astrológicas, e não exige formação acadêmica - ele não a tem - por se tratar de uma enganação ou, no máximo, de uma curiosidade. Filósofo mesmo é o que ele não é, tem que ter canudo. De acordo com a “lenda”, ele abandonou o curso de Filosofia na PUC do Rio após a morte de um professor e diretor do curso, o Padre Stanislavs Ladusans. O problema é que a disciplina de uma sala de aula lhe faz muita falta até hoje, principalmente no aprendizado implícito de civilidade e modéstia, que lhe passam longe. Além disso, se todo profissional que se preza - até os próprios professores - tem por hábito reciclar-se periodicamente através de aulas, por que não teria um filósofo, já que a Filosofia é uma ciência que organiza e relaciona as metodologias e conhecimentos obtidos pelas diversas ciências que compõem o saber humano, e que se modificam continuamente em um piscar de olhos?

Mas não. Olavo nem sequer troca ideias com alguém: dita regras e, por mais estapafúrdias que sejam, às pobres olavetes só lhes resta segui-las e disseminá-las como verdades absolutas e incontestáveis, até porque quem segue tão cegamente alguém não tem a menor capacidade de discernimento.

Antes de terminar, eu gostaria de perguntar também às olavetes - até porque Olavo não se “rebaixaria” a me dar atenção - se o seu deus já falou alguma coisa sobre a sua guinada que o transformou de militante comunista em direitista-carola-empedernido. Ele já confessou ter sido burro durante algum tempo da vida, ter sido drogado ou maluco de comer cocô, não diz nada sobre o assunto ou também vai querer convencer os trouxas que o seu comunismo era diferente - como dizia Paulo Francis, na gozação, que não era comunista e sim trotskista?

Eu nunca neguei a imensa cultura de Olavo - não sou louco a esse ponto -, mas tenho algumas graves restrições quanto à maneira que ele a usa. Um pouco de polidez e cortesia e um muito de modéstia ajudariam, mas isso é pedir demais a “deus”...

Por tudo isso, publiquei a crítica do Milton que, exatamente por ter ideias próprias, por não ser mais um mero repetidor de Fulano ou Beltrano, “ousou” discordar de verdades tidas como absolutas apenas nas cabecinhas ocas das olavetes.

E que ouse sempre.

Um bate-papo entre Lobão e Olavo de Carvalho, para queimar a minha língua

Foi só eu falar que Olavo não troca ideias com ninguém, que dei de cara no YouTube com um papo dele com Lobão via Skipe, que durou uma hora e quarenta minutos - tá, queimei a língua. Quando eu tiver tempo e saco, vou assisti-lo na íntegra, mas, por enquanto, só pincei alguns trechos, aleatoriamente, e o pouco que vi foi uma confirmação do que eu já andava desconfiando: Lobão está com uma tremenda indigestão. Seu sucesso repentino pelas posições políticas que resolveu adotar e expor, bem ao seu estilo espalhafatoso, não lhe caiu bem. A verborragia normalmente exacerbada do rapaz piorou e a sua metralhadora giratória perdeu o controle. Anda falando de tudo e de mais um pouco, o que acaba evidenciando uma certa confusão mental.

Em todo caso ainda há possibilidade de recuperação de Lobão, que é um sujeito inteligente, desde que ele não insista muito em “olavear”, senão vai acabar carola, adepto de teorias conspiratórias e defensor do geocentrismo.


Frase para começar - mal - a semana

“Partido político no Brasil é uma empresa privada mantida com dinheiro público.”
Ronaldo Fonseca, deputado pelo PR-DF.

Rosemary em código

O engraçadinho Gilberto Carvalho, Secretário da Presidência da República, depois de várias negativas, enfim liberou para a Justiça e para o Ministério Público o CD com os e-mails dos computadores usados por Rosemary Noronha. O problema é que o arquivo com as mensagens foi formatado em um programa desconhecido pelos técnicos do MP.

Que cara de pau desse sujeitinho asqueroso!

domingo, 29 de setembro de 2013

Preguiça e burrice contagiosas atinge jornalistas, professores e políticos - a etimologia de “aluno”

Sergio Rodrigues em seu blog na Veja, o “Sobre Palavras”, descreveu um absurdo etimológico que, pelo visto, está prestes a virar verdade absoluta, já que jornais, jornalistas, professores e até deputados-professores como Chico Alencar andam adotando e divulgando o disparate sobre a origem da palavra “aluno”.

Saí catando adeptos do contrassenso e, só na primeira página da busca no Google, consegui mais que o suficiente. Vejam:

“A palavra aluno vem do latim, em que a letra a corresponde a ausente ou sem e luno, que deriva da palavra lumni, significa luz. Portanto, aluno quer dizer sem luz, sem conhecimento.”

“A palavra ‘aluno’ tem origem do latim, onde a corresponde a ‘ausente ou sem’ e luno, que deriva da palavra lumni, significa ‘luz’. Portanto, aluno quer dizer sem luz, sem conhecimento. Não foi por acaso que Jesus exclamou: Eu sou a luz do mundo.” Ensinar é aprender - Ivone Boechat

“Drago tirou o nome para sua exposição da raiz latina da palavra ‘aluno’, que significa ‘sem luz’. ‘Foram os dias de mais luz da minha vida.’ Por sorte, captados em sua máquina.” Gilberto Dimenstein - Alunos luz
(http://aprendiz.uol.com.br/content/licelicoge.mmp)

“Marcos Meyer, psicólogo especializado em educação infantil, afirmou que para fomentar a autonomia da criança, ela deve instiga-la a aprender. Segundo ele, “’devemos deixar as crianças pararem de ser alunos e passarem a ser autoras a partir da luz dos educadores’, fazendo alusão à etimologia da palavra aluno que significa ‘sem luz’”.
(http://aprendiz.uol.com.br/content/cufrochece.mmp)

“É curioso lembrar que “aluno” vem do grego e significa “sem luz”. “A” como negativa, aquele a quem falta a luz. E o mestre, na concepção tradicional, seria o portador de uma chama divina. Não por acaso o 15 de outubro é consagrado aos mestres por causa da mestra da espiritualidade, Santa Teresa DÁvila, mas não temos de ter a pretensão da santificação nem de iluminações especiais.”
Chico Alencar - deputado federal -
(http://www.chicoalencar.com.br/chico2004/chamadas/2007/pronunc18102007b.htm)

“A palavra “aluno” tem origem do latim, onde “a” corresponde a “ausente ou sem” e “luno”, que deriva da palavra lumni, significa “luz”. Portanto, aluno quer dizer sem luz, sem conhecimento.
Fonte: Portal das Curiosidades”
(http://www.megacubo.net/origem-palavra-aluno/)

“lí em um texto que refere-se à paixão de conhecer o mundo uma frase ,que se lí corretamente é de madalena freire:”...o alfabetizador não alfabetiza o aluno;(aluno/sem luz,uí) ele é apenas o mediador entre o aprendiz e a escrita,entre sujeito e objeto...”
(https://www.listas.unicamp.br/pipermail/ead-l/2005-May/021410.html)

“Conceitos de autoridade e autoritarismo são facilmente confundidos atualmente. Para aquele que vê o educando como na Grécia Antiga, ou seja, “aluno” (sem luz), o autoritarismo será à base das tais relações. Entretanto, quando o educador vivencia uma relação de ensino-aprendizagem afetiva, a autoridade acontece automaticamente (respeito, tolerância, etc.).
É necessário repensar!”
(http://www.ulbra.br/esferaazul/atualidades/atual156.htm)

“Pedro estava decidido: vou ser professor de História. Fez o seu vestibular e passou. É verdade que passou lá nos últimos lugares, mas - ufa! - passou. Como estudante foi um aluno na verdadeira concepção da palavra: sem luz. Lembro que a palavra aluno origina-se do latim e quer dizer sem luz: a, que quer dizer distante de e lux que quer dizer luz. Era um aluno assíduo e, durante o seu curso, pouco faltou aulas.”
(http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/repre.htm)

 “Aluno não é mais aluno: é educando, pois, como se sabe, a palavra “aluno” significa “sem luz”. Vê-los como seres “sem luz” é inadmissível e não louvar sua cultura pessoal (quase sempre televisiva e de gueto) é fascismo. Ensinar alta-cultura e valorizar a erudição é entendido como deplorável elitismo fora da realidade.”
(http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Reportagens&idjornal=129&idrep=1210)

“A idéia de uma livre expressão desse aluno, poderia se tornar uma ameaça para os sistemas educacionais em questão. O aluno é o ser sem-luz (alumni) portanto, incapaz de refletir acerca de sua própria existência.”
(http://www.orecado.org/?p=92)

Agora o artigo do Sérgio:

A palavra “aluno” tem origem no latim, onde ‘a’ corresponde a “ausente ou sem” e ‘luno’, que deriva da palavra ‘lumni’, significa “luz”. Portanto, aluno quer dizer sem luz, sem conhecimento. Pedagogicamente não deve ser mais utilizada, pois, segundo Paulo Freire, toda criança traz consigo uma bagagem, portanto ela não é um papel em branco onde o professor irá escrever novos conteúdos.

O texto acima apareceu num fórum internético e foi considerado a melhor resposta à seguinte questão: “Qual é a origem da palavra aluno?”. Reproduzo-o aqui porque, com sua marra politicamente correta, ele dá uma boa ideia da razão pela qual essa velha e furadíssima lenda etimológica tem vivido um momento de ouro nos últimos anos, circulando pela internet – inclusive em sites supostamente respeitáveis – em formulações parecidas com esta, que transcrevo de forma literal:

Não é nada disso. Aluno veio do latim alumnus, “criança de peito, lactente, menino” e, por extensão de sentido, “discípulo”. O verbo ao qual se liga é alere, “fazer aumentar, nutrir, alimentar”. Uma consulta simples a qualquer dicionário etimológico resolveria a questão.

Curiosamente, isso parece estar fora do alcance de muita gente envolvida em atividades pedagógicas, campo em que a asneira tem vicejado. O fermento que nutre a desinformação é ideológico: a falsa etimologia, afinal, denunciaria a visão estreita da pedagogia que se recusa a ver o estudante como um igual do professor, alguém que tem tanto a ensinar quanto a aprender, coisa e tal.

O irônico é que, com professores assim, isso acaba sendo verdade, ainda que pelas razões erradas.

Bom, quanto a Paulo Freire, eu acho até que é bem possível que ele tenha compartilhado - ou até mesmo criado - essa versão absurda. Já Chico Alencar não surpreende mais ninguém pelas besteiras que diz.

O “democrata" Allende de Bellotto

Cumprindo o doloroso hábito masoquista de ler qualquer porcaria, eu me detive em uma frase do artigo de hoje de Tony Bellotto que terminava em “o golpe de Estado que derrubou o governo democrático de Salvador Allende e instaurou no Chile a tenebrosa ditadura de Augusto Pinochet”.

Bom, quanto à “tenebrosa ditadura de Augusto Pinochet”, eu posso até concordar, muito embora o general tivesse um amplo apoio da população, principalmente à época do golpe, mas dizer que Allende fez um governo democrático é de uma estupidez atroz, somente verificada em no que resta dos cérebros de esquerdopatas e de idiotas que acreditam neles, turminha a qual Belloto faz parte.

Então vamos lá, mais uma vez botar os pingos nos is do “titã”.

Para começo de conversa, Allende foi eleito com apenas 36% dos votos e, por isso, o Congresso cercou-se de cuidados obrigando-o a assinar o “Estatuto das Garantias Democráticas”, onde prometia respeitar o Estado de Direito, o profissionalismo das Forças Armadas, a liberdade de opinião, a pluralidade sindical, a autonomia das universidades e a obrigação de indenizar as desapropriações previstas no seu plano de governo.

Acontece que para o “democrata” Allende, a sua própria palavra e assinatura não valiam nada, Conforme declarou em uma entrevista a Regis Debray, algum tempo depois de assumir, ele só assinou o documento por “necessidade tática”, pois “o importante era tomar o poder”.

A “democracia” de Allende começou muito bem, com seus correligionários em grupos armados realizando expropriações - chamadas de “tomas” - de fazendas e fábricas impunemente. Não precisa dizer que tais medidas resultaram em escassez e inflação, culminando com a criação de cartões de racionamento, à la cubana.

Na vez das escolas, resolveu criar o programa “Escola Nacional Unificada”, cujo objetivo claro e explícito era doutrinar a garotada em direção ao socialismo marxista, doutrina que Allende sempre afirmou ser fiel seguidor.

Nos meios de comunicação, rádios e TVs eram invadidas e tomadas pelo GAP - Grupo de Amigos do Presidente -, que, armado até os dentes, expulsavam seus donos e mudavam a programação. Isso, além de proibir a importação de antenas de transmissão.

Na imprensa escrita os estragos não foram menores, pois passou a controlar o papel, a tinta e o óleo para as impressoras.

Aliás o “democrata” de Bellotto - para que tantos Ls e tantos Ts? - resumiu o apreço que tinha pela imprensa com uma frase lapidar:

“Não deve ter lugar para objetividade no jornalismo. O dever supremo do jornalista de esquerda não é servir à verdade, mas à revolução.”

Eu acho que chega. Embora ainda haja muito para dizer sobre os três piores anos do Chile, eu mesmo já estou enojado de tanta canalhice. Já deu para mostrar a qualquer besta quadrada do tamanho do Bellotto o quão “democrata” era Allende.

sábado, 28 de setembro de 2013

A triste e óbvia constatação: o PT emburreceu o Brasil.


Conforme mostra o quadro acima, elaborado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, os brasileiros que NÃO apresentavam “habilidades que não impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: lêem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses; quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos”, ou seja, os NÃO plenamente alfabetizados, em 2002 eram 62% da população.

Se vocês acharam muito, constatem que hoje, mais de dez anos de PT depois e graças à incompetência dessa quadrilha que se apoderou do país, os analfabetos funcionais somam 71,5% da população, quase dez pontos percentuais a mais que em 2002.

Isso é simplesmente uma calamidade! Esse é um quadro que não terá a menor chance de ser satisfatório em menos de - é difícil estimar, mas vá lá - 50 anos de educação séria, não essa canalhice que nos tentam enfiar goela adentro.

O Brasil agradece imensamente a todos os que votaram duas vezes em Lula e uma em Dilma e, em nome desse tão venerado emburrecimento, recomenda que todos repitam seus votos no PT para que essa situação perdure e quiçá aumente até não dependermos mais do agronegócio, já que capim dá em todo canto.

Rosemary do Lula vai ser candidata deputada federal! Será?

“Eleger Luiz Inácio Lula da Silva Senador por São Paulo é a prioridade máxima estabelecida pela cúpula petista para 2014. Além de usar o carisma do Presidentro na nada fácil campanha para eleger Alexandre Padilha governador, o objetivo tático é aumentar a já poderosa blindagem para Lula com a imunidade parlamentar garantida por oito anos de mandato. Pessoalmente, Lula tem outra prioridade-necessidade: eleger sua melhor amiga Rosemary Nóvoa Noronha deputada federal, também por São Paulo.”
Jorge Serrão


Fala sério! O Serrão é pródigo em sensacionalismos e às vezes ele acerta, mas se ele acertar sobre Rose ser candidata a dePUTAda, eu me mudo pra Tuvalu!

André Singer, o resumo de um petralha

Rodrigo Constantino resumiu um artigo de hoje na Folha, onde André Singer faz uma análise sobre a eleição de Merkel na Alemanha. Leiam:

Embora previsíveis, os resultados da eleição na Alemanha, no domingo passado, devem ser olhados com atenção, pois desenham um horizonte sombrio para os próximos anos. A estrondosa vitória de Angela Merkel representa um endosso para a destruição econômica imposta pelos alemães aos países do sul do continente, colocando em perigo a própria União Europeia (UE) e, talvez, provocando um perigoso antigermanismo nos vizinhos.
[...]
Os motivos desse relativo sucesso tornam duvidosas, porém, as condições de sua continuidade. Na área industrial, as empresas alemãs parecem estar ainda se beneficiando do pacote antitrabalhista levado a cabo sob o comando de Gerhard Schröder (SPD), nos anos 2000. Ao diminuir direitos da classe trabalhadora, embora restem muitos, rebaixou-se o custo da mão de obra, o que, somado ao aumento de produtividade, tornou as mercadorias alemãs mais competitivas.
[...]
Enquanto durar a hegemonia da direita na Europa, lugar em que a civilização mais avançou no planeta, as perspectivas gerais de progresso não serão boas.

André Singer é cientista político e professor da USP, onde se formou em ciências sociais e jornalismo. Foi porta-voz e secretário de Imprensa da Presidência no governo Lula.

Agora me digam: que raio de cientista político é esse que é capaz de falar tanta asneira? Mesmo para o mais imbecil dos imbecis fica claro que se a Alemanha é uma ilha de progresso no meio de um mar de fracassos é porque o governo Merkel fez por onde. O que é que esse cara queria? Que os “teutônicos” (é incrível mas ele usou esse termo referindo-se aos alemães no seu artigo), enjoados de tanto prosperar, elegessem um mequetrefe socialista que trouxesse o caos econômico em nome de um welfare state duvidoso?

Alemão não é burro e não ganha dinheiro para jogar fora sustentando burros a pão-de-ló. Já bastam as polpudas mesadas que o país dá aos vizinhos incompetentes.

Com perdão da má palavra, André: vá tomar onde as galinhas tomam e aproveite o ensejo para enfiar junto o seu socialismo no lugar onde ele merece ficar!

Apenas um em cada quatro brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática

Instituto Paulo Montenegro e Ação Educativa mostram evolução do alfabetismo funcional na última década

Pequena introdução:

O significado de alfabetismo funcional
A definição de analfabetismo vem, ao longo das últimas décadas, sofrendo revisões significativas como reflexo das próprias mudanças sociais. Em 1958, a UNESCO definia como alfabetizada uma pessoa capaz de ler e escrever um enunciado simples, relacionado a sua vida diária. Vinte anos depois, a UNESCO sugeriu a adoção dos conceitos de analfabetismo e alfabetismo funcional. Portanto, é considerada alfabetizada funcionalmente a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita e habilidades matemáticas para fazer frente às demandas de seu contexto social e utilizá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida.

Os níveis de alfabetismo funcional são:
Analfabeto - Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.);
Rudimentar - Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica;
Básico - As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já lêem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações;
Pleno - Classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: lêem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos.

Posto isto, vamos aos resultados:
           
O percentual da população alfabetizada funcionalmente foi de 61% em 2001 para 73% em 2011, mas apenas um em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática

O Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, parceiros na criação e implementação do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), lançam mais uma edição da pesquisa que completa uma década. Os resultados mostram que durante os últimos 10 anos houve uma redução do analfabetismo absoluto e da alfabetização rudimentar e um incremento do nível básico de habilidades de leitura, escrita e matemática. No entanto, a proporção dos que atingem um nível pleno de habilidades manteve-se praticamente inalterada, em torno de 25%.


Entretanto, os dados do Inaf levantados no mesmo período indicam que estes avanços no nível de escolaridade da população não têm correspondido a ganhos equivalentes no domínio das habilidades de leitura, escrita e matemática. Somente 62% das pessoas com ensino superior e 35% das pessoas com ensino médio completo são classificadas como plenamente alfabetizadas. Em ambos os casos essa proporção é inferior ao observado no início da década. O Inaf também revela que um em cada quatro brasileiros que cursam ou cursaram até o ensino fundamental II ainda estão classificados no nível rudimentar, sem avanços durante todo o período.

“Apesar dos avanços, tornam-se cada vez mais agudas as dificuldades para fazer com que os brasileiros atinjam patamares superiores de alfabetismo. Este parece um dos grandes desafios brasileiros para a próxima década”, avalia Ana Lúcia. “Os dados reforçam a necessidade de investimento na qualidade, uma vez que o aumento da escolarização não foi suficiente para assegurar o pleno domínio de habilidades de alfabetismo: o nível pleno permaneceu estagnado ao longo de uma década nos diferentes grupos demográficos”.

Para Vera Masagão, coordenadora geral da Ação Educativa, os dados do Inaf mostram que a chegada de novos estratos sociais às etapas educacionais mais elevadas vem, muitas vezes, acompanhada da falta de condições adequadas para que estes estratos alcancem os níveis mais altos de alfabetismo, o que reforça a necessidade de uma nova qualidade para a educação escolar, em especial nos sistemas públicos de ensino. “Outro fator essencial para avançar é o investimento constante na formação inicial e continuada de professores, que precisam ser agentes da cultura letrada em um contexto de inovação pedagógica”.

“Essa qualidade não envolve somente a quantidade de horas de estudo ou a ampliação da quantidade de conteúdos ensinados, mas também fatores como a adequação das escolas e dos currículos a políticas intersetoriais que favoreçam a permanência dos educandos nas escolas e a criação de novos modelos flexíveis que permitam a qualquer brasileiro ampliar seus estudos quando desejar, em diferentes momentos da vida”, diz Vera.

 “Ao longo desta década consolidou-se a tendência de ampliação das oportunidades educacionais para todos os brasileiros, com avanços importantes nas regiões e grupos sociais com menor renda. Por outro lado, evidenciou-se a preocupação com os níveis insuficientes de aprendizagem revelada pelas avaliações em larga escala do desempenho escolar, como a Prova Brasil, o ENEM e outros de âmbito estadual e municipal”, analisa Vera. “Nesse contexto, muitas iniciativas, em âmbito governamental e não-governamental têm sido postas em marcha para transformar o direito de acesso à escola no efetivo direito a aprender, não só na escola como ao longo de toda a vida”.

Resultados por segmentos populacionais

As melhorias nos índices de pessoas funcionalmente alfabetizadas ocorrem em todas as faixas etárias, mas há persistências de proporções significativas de pessoas analfabetas entre os mais velhos. Em nenhuma das faixas etárias consideradas houve aumento significativo da proporção de pessoas no nível pleno.

Há uma correlação entre a renda familiar e o nível de alfabetismo, uma vez que a proporção de analfabetos e daqueles incluídos no nível rudimentar diminui sensivelmente à medida que aumenta a renda familiar. A evolução do Inaf nesses dez anos revela que os grupos que mais avançaram em termos de alfabetismo foram aqueles com renda de até dois salários mínimos, seguidos por aqueles com renda entre dois e cinco salários mínimos, sendo que a proporção de alfabetizados funcionalmente subiu de 44% para 60% e de 58% para 83%, respectivamente.

Apesar da redução da desigualdade entre brancos e não brancos em termos de escolaridade ao longo da década 2001-2011, o Inaf aponta, por exemplo, que a proporção de pessoas funcionalmente alfabetizadas atingiu 80% entre os brancos, 64% dentre os pretos/negros e 69% entre os pardos (o Inaf utiliza a mesma categoria cor/raça do IBGE, a partir da auto declaração dos sujeitos entrevistados).

Analisando a evolução do alfabetismo ao longo da década nas diferentes regiões do país, um dado que merece destaque é a região Nordeste que, em dez anos, conseguiu reverter a situação majoritária de analfabetismo funcional em 2001-2002 (51%), atingindo 62% de sua população entre 15 e 64 anos funcionalmente alfabetizadas em 2011.


Ao longo da década, observa-se, ainda, que houve melhora em relação ao alfabetismo tanto na área urbana quanto na rural. Embora o avanço da área rural tenha sido significativamente maior, persistem fortes desigualdades em favor das áreas urbanas: a proporção de analfabetos funcionais na área rural é de 44% e de 24% nas áreas urbanas.

Oposição preparada para levar outra surra do PT na internet

Há mais de dez anos eu venho me batendo inutilmente sobre a necessidade da nossa oposição consultar um calendário, constatar que estamos no Século XXI e aprender a usar as “novas mídias sociais” de maneira objetiva, mas tudo que vejo é uma verdadeira surra diária aplicada pelos petralhas que, apesar das suas graves limitações intelectuais, são extremamente organizados nesse aspecto. Não importa se eles contam mentiras, se extrapolam nas ofensas ou mesmo se cometem crimes graves como associar a imagem de Joaquim Barbosa à de um macaco, porque, na verdade, em se tratando de manter o poder, os fins justificam os meios - estou raciocinando à la PT.

Já que não há punição para os incontáveis crimes petralhas na rede, caberia única e exclusivamente à oposição a tarefa de neutralizar essa ofensiva criminosa. Caberia, porque o que se vê hoje é uma lamentável pasmaceira, um desinteresse inexplicável pela internet que, sem dúvida, é hoje o instrumento mais importante de comunicação.

Merval Pereira escreve hoje o artigo abaixo que fala sobre isso:

Dilma digital

Que o PT está atento às novas mídias sociais, é sabido desde que, nas últimas eleições, ficou claro que o partido tinha uma verdadeira organização digital dedicada a espalhar pela rede críticas e acusações aos adversários políticos. Há também um bem montado esquema de blogs pagos por verba oficial para elogiar o governo petista e tentar desqualificar os críticos, sejam eles políticos, jornalistas independentes ou cidadãos que não se veem representados pelo governo que está aí.

Basta ver a malhação digital orquestrada recentemente contra as atrizes globais que se vestiram de preto para protestar contra o resultado do julgamento do Supremo tribunal Federal que, aprovando os embargos infringentes, adiou para as calendas gregas o cumprimento das penas a que os mensaleiros já estão condenados.

O surgimento de José Dirceu por trás do fenômeno Mídia Ninja, depois das manifestações de junho, e os financiamentos oficiais às atividades do grupo mostram como o partido está atento às experiências nesse setor.

A atividade de Ricardo Augusto Poppi Martins, o assim chamado coordenador de Novas Mídias e Outras Linguagens de Participação, ligado ao gabinete do ministro Gilberto Carvalho, foi revelada depois de sua participação em uma reunião na embaixada de Cuba para organizar uma campanha de difamação da blogueira Yoani Sánchez em sua recente visita ao país.

Ele viajou em seguida para Cuba, onde participou de um seminário sobre o uso da internet em ações políticas. Pode-se imaginar o que aprendeu por lá, num país que controla a internet para impedir a população de entrar em contato com o mundo.

Há nesse campo, portanto, ações oficiais e outras, ilegais ou clandestinas, que só demonstram como o PT está à frente dos outros partidos no uso dessas novas ferramentas virtuais. Ontem, a presidente Dilma deu novos passos para aprofundar a atuação do governo nesse campo.

Depois das manifestações de junho, o governo está obcecado com esse negócio de mídias sociais , disse-me um ministro. A presidente Dilma, no terreno pessoal, abriu uma página no Facebook, anunciou que vai usar aplicativos como o Instagram e retornou ao Twitter, que havia abandonado após a vitória na eleição de 2010.

Aproveitou um diálogo com a personagem Dilma Bolada para responder à revista inglesa The Economist , que faz sérias críticas ao governo brasileiro na sua mais recente edição. No mesmo dia, lançou o @portalbrasil, o novo site do governo federal.

O mais revelador é que, no discurso de lançamento, a presidente associou-o a outras medidas já tomadas, como Lei de Acesso à Informação ou o Portal da Transparência, para dizer que o seu governo reduziu o grau de assimetria que existe entre o cidadão e o governo, no que se refere a informações .

Ela se disse disposta a construir uma prática sistemática de ouvir as ruas, de ouvir o que querem as universidades, de ouvir o que querem as pessoas, a população da cidade e do campo do Brasil, dos diferentes segmentos sociais, e ouvir as redes sociais, ter com as redes sociais também uma interação .

Continuando com a política de usar internamente a disputa com os Estados Unidos sobre a espionagem cibernética - esse assunto e o Mais Médicos foram os temas mais lembrados pelos cidadãos ouvidos pela mais recente pesquisa Ibope, que mostrou uma subida da popularidade da presidente -, a presidente Dilma voltou a repisar a necessidade de proteger a rede social para impedir que ela se transforme em um campo de batalha cibernético entre países .


É evidente que o governo, qualquer governo, tem mais e melhores condições que os partidos que estão fora dele para fazer o diabo numa eleição, como a própria Dilma admitiu recentemente. A ideia de um governo mais aberto ao cidadão-contribuinte e a participação pessoal da presidente nas redes sociais são uma boa maneira não apenas de aproximar-se do eleitor, mas também de desmentir a imagem de uma gerentona inflexível e raivosa. Mesmo que não passe de puro marketing.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Rodrigo Constantino: Carta aberta a Aécio Neves

Prezado senador Aécio Neves,

Talvez você tenha visto a carta aberta que escrevi para seu colega José Serra, fazendo um apelo para que ele não só desista da candidatura própria, como permaneça no PSDB lhe dando apoio. Saberemos a decisão dele em poucos dias.

Agora é a vez de me dirigir a você. Posso compreender que o “jeito mineiro” de fazer política é diferente, mais “low profile”, discreto, comendo pelas beiradas. Mas não posso concordar com uma postura tão cordial e amigável como a que tem sido adotada até agora. Vamos conversar? Vamos bater um “papo reto”?

Vamos. Aécio, o Brasil vive um momento bastante delicado, caso ainda não tenha notado. Corremos o sério risco de virar uma Venezuela, uma Argentina. Àqueles que duvidam, vale lembrar que os venezuelanos nunca pensaram que seriam a próxima Cuba, e os argentinos jamais acreditaram que seriam a próxima Venezuela.

O PT aparelhou toda a máquina estatal, e isso inclui o STF. O bastião de resistência tem sido a imprensa, ou uma pequena parte dela, justamente aquela difamada e acusada de “golpista” pelos verdadeiros golpistas. Esta Veja aqui é uma das últimas vozes com coragem de fazer oposição firme ao projeto bolivariano do PT. O risco é sério.

E uma das principais preocupações que temos – nós todos que não desejamos virar a próxima Venezuela – é a acovardada oposição política. Basta salientar que o PSB de Eduardo Campos, até ontem governo, passou a ser uma das grandes esperanças de muitos empresários. Um partido que se diz socialista e foi governo com o PT nos últimos 10 anos! Entenda nosso desespero, Aécio.

O que me remete ao meu apelo: seja oposição! Não tente competir com o PT em “simpatia popular”, em bandeiras “progressistas”, pois nisso eles têm o monopólio do discurso. Conseguiram criar uma narrativa de que são o povo, defendem o povo, e representam a esquerda. Você vai realmente enfrentá-los sendo parecido com eles, atuando no mesmo tom, ou em cinquenta tons diferentes de vermelho? Derrota certa.

Eles têm o Lula, mito popular. O Bolsa Família, esmolas que compram votos populares. E cerca de um terço do eleitorado fiel à legenda. Esses votos já são deles, Aécio. Se você tentar ser “um pouco melhor” ou “um pouco diferente” do PT, para “fazer mais”, não vai convencer ninguém.

Para ter mais do mesmo, essa gente vai de PT, pois já conhece e sabe o que esperar (ainda que não saiba o resultado final disso). Essas pessoas enxergam o PSDB como “elitista”. E isso não vai mudar com maquiagem de marqueteiro algum.

Por falar em marqueteiro, li na Folha essa semana que o seu pensa que o mensalão não comove os eleitores. Como assim? E a classe média? E os 20 milhões de votos que teve Marina Silva? Marina. Falemos um pouco dela. O que é esse fenômeno?

Marina foi do PT a vida toda, fez parte do governo Lula, e de repente é vista como alternativa a tudo isso que está aí, por ser apartidária ou apolítica? Como pode? Maurício Moura, do Instituto Ideia, em reunião com integrantes de sua campanha, disse: “O mito Marina Silva é muito superior à candidata Marina Silva”. Exato.

Em eleições, os mitos importam. O que o eleitor pensa que o candidato representa é determinante. Quem vota em discurso burocrático de “mais eficiência” na gestão pública? O voto daqueles que sabem que você será mais eficiente que o PT – o que é moleza, convenhamos – você já tem. Mas e os demais?

Não, Aécio. Não será com esse tipo de abordagem que os quase um terço de eleitores ainda indecisos ou de saco cheio da política, sem falar os quase 20% da própria Marina que não sabemos ainda se vai ou não disputar, vão migrar para o seu PSDB e digitar 45 nas urnas em 2014.

Qual é o mito Aécio? Quais são as bandeiras tucanas que realmente diferem tal alternativa do modelo petista que está aí há mais de década? Ser um pouco menos progressista? Ser um pouco mais eficiente? Ser esquerdista com perfume francês? Desculpa, não convence, não cativa, não conquista.

Será que vocês ainda não perceberam que há uma demanda reprimida enorme por uma oposição de verdade, por alguém que vá claramente contra esse modelo atual? Sim, eu falo de bandeiras bem mais liberais ou mesmo conservadoras, firmes, que condenem sem rodeios o bolivarianismo petista, a degradação de valores morais, tradicionais e familiares, o avanço estatal sobre nossos bolsos e nossas vidas. Aonde está essa opção?

Não existe. Há uma hegemonia de esquerda na política nacional, e o PSDB faz parte dela. É apenas mais light, mais civilizado, mais moderado e bem mais eficiente na economia do que os socialistas do PT. Mas isso é pouco! Milhões de brasileiros, órfãos de representação político-partidária, querem mais. Muito mais!

Preencha esse vácuo, Aécio. Suba o tom, deixe claro que não apenas discorda do governo petista, mas abomina tudo aquilo que essa corja autoritária tem feito com nosso país. Fale abertamente que, com você, o Brasil não será a próxima Venezuela ou Argentina mas, ao contrário, voltará a abraçar o respeito à democracia republicana, e que os Estados Unidos devem ser amigos e aliados, não a ditadura cubana.

Pensa que isso é suicídio político? Discordo. Suicídio político é tentar ser parecido com o PT, apenas um pouco melhor. Ou fazer “oposição” de forma tímida, cheia de cuidados e sorrisos camaradas. É o que isso, telhado de vidro? Ao aceitar ser candidato, você já sabia o que o lado de lá iria fazer. É assim que eles jogam: sujo.

O grande equívoco dos opositores do PT e da esquerda radical sempre foi acreditar que, se sinalizassem uma boa vontade amigável para um debate mais civilizado, o lado de lá faria o mesmo, sem golpes baixos, sem demonização do adversário. Acordem!

O PT é um partido capaz de acusar vocês, tucanos, de “entreguistas”, ao mesmo tempo em que anuncia um leilão de privatização com participação de vários grupos estrangeiros! Ficar na defensiva é pedir para apanhar mais e mais.

A definição de canalha é não se importar com o código de ética aceito pela sociedade, ora bolas! Achar que é possível lidar com essa turma nos mesmos termos que lidamos com opositores sérios e civilizados é ingenuidade demais. É convidar um crápula para um chá das cinco na esperança de que ele vai te aliviar.

E então, Aécio: você será uma alternativa mal definida de “oposição” ao PT, ou será realmente a imagem de alguém que rejeita com todas as forças o destino que nos aguarda se o PT continuar no poder? Ainda que tal imagem seja mais mito que realidade, lembre-se: eleitores votam em mitos, não em planilhas burocráticas de “choque de gestão”.

Os eleitores brasileiros, os outros 65% que não casam com o PT “no matter what”, estão carentes de um mito de legítima oposição. Seja essa oposição, Aécio! Em 2014 não resta nenhuma outra alternativa. Ao povo tem que ser vendida a seguinte escolha: Venezuela ou Aécio Neves.

O “mito” Marina. Mas e o seu marido?

“O mito Marina Silva é muito superior à candidata Marina Silva.”
Maurício Moura, do Instituto Ideia, em reunião com integrantes do comando da campanha de Aécio Neves.

Eu diria que Marina é apenas o mito. Não sei de onde saiu todo esse prestígio, de onde foram tirar tantas virtudes inexistentes de uma mulher tão politicamente idiota e cujo marido, Fábio Vaz de Lima, é suspeito de um desvio de R$ 44,2 milhões da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para a construção, em São Luís, de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel.

O processo, que tem também Roseana Sarney e seu marido Jorge Francisco Murad Júnior como réus, é resultado de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e foi denunciado em 2004.

Nem sempre tudo acaba em pizza; às vezes dá em Carnaval.

Os protestos do povo deram nisso...
Pois é. Quando os motivos eram difusos e confusos, o povo saiu às ruas para protestar contra uma penca de coisas. Era mensalão, preço de passagem, Sergio Cabral, Dilma, roubalheira e por aí afora. Agora, que há um motivo grave - pelo menos no meu entendimento - como o atentado que seis mequetrefes togados cometeram contra a Justiça e contra o Brasil, ninguém mexe uma palha.

Não dá para entender o brasileiro, nem mesmo aquele que você acha que deveria ter alguma consciência política pelo seu nível de estudo, acesso à informação e condição social. Eu fundo a minha cachola mas não entendo, por exemplo, como é que tem gente que diz, orgulhosa, que sempre anula seu voto, seja para que cargo for, e sai metendo o pau na situação do país - há muitos nos “facebooks” da vida. Eu também não entendo como é que alguém pode achar que o país está uma zorra e dizer que a volta do Lula é a solução - também os há.

Ainda outro dia, uma amiga botou um post no Face denunciando Aecio por querer “censurar” a internet, criminalizando a crítica política feita através dela - uma grossa mentira. Foi o bastante para um outro comentar: “Cheirador de merda!”. Eu não sou exatamente o fã número um do Aecio, não tenho como provar que ele não usa cocaína e nem me interessa. Tampouco me importam as namoradas ele arranja por aí, já que não estamos falando de um ator global e sim de um candidato à Presidência da República. Que critiquem sua postura de festeiro, ainda vá lá, mas esse tipo de boçalidade, afirmando coisas que não se tem como provar, só faz reforçar a minha ideia que todo brasileiro é, em essência, uma besta política.

É por essa inconsistência crítica, por essa síndrome de maria-vai-com-as-outras, por esse fofoquismo enraigado e por esse “foda-se o mundo que eu não me chamo Raimundo” que o Brasil não passa de um arremedo democrático onde as eleições são apenas uma mera formalização de um poder que não muda de mãos desde Getúlio Vargas, o homem que domesticou o povo brasileiro, o “pai do povo” que inverteu a mão do poder.

Milton Valdameri: Desconstruindo Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho é um polêmico jornalista, famoso pelo uso de palavrões, astrólogo, autor de vários livros e criador de um curso chamado Seminário de Filosofia. Considerado filósofo por uns, mas por outros não, ficará ao critério do leitor considerá-lo ou não um filósofo.

A desconstrução não deve ser confundida com agressão, não visa desconstruir o Olavo ou sua obra, mas o mito, apresentar algumas graves falhas que o colocam mais próximo de um mistificador do que de um filósofo. Existem muitos méritos para serem reconhecidos na obra do Olavo, a desconstrução do mito é apenas um estímulo às análises mais criteriosas, colabora com a divulgação da obra e se contrapõe aos opositores que ao invés de contestá-lo, fingem ignorá-lo e tentam escondê-lo.

O ônus da prova

A primeira parte da desconstrução não poderia abordar outra questão, pois é um critério científico, filosófico e lógico, que aquele que afirma tem a responsabilidade de apresentar as evidências daquilo que foi afirmado. É possível encontrar na internet, o Guia de Falácias, onde encontra-se a Falácia da Inversão do Ônus da Prova, que consiste em alegar que algo é verdadeiro por que não foi provado falso.

Em um dos programas True Outspeak, Olavo argumentou o seguinte: “acreditar na existência da realidade, acreditar na identidade das coisas, é uma coisa espontânea do ser humano. Se você contesta, você é quem tem que provar a sua contestação. O fato de que os primeiros princípios da lógica não podem em si mesmos, serem jamais provados e que deles dependem a prova de tudo o mais, já se demonstra com máxima clareza que não é possível o ônus da prova ser de quem afirma”.

Em primeiro lugar, o Olavo não citou qualquer um dos primeiros princípios da lógica, portanto trata-se apenas de palavras jogadas ao vento com falsa erudição, uma vez que não há como saber o que o Olavo considera como primeiros princípios da lógica, nem avaliar se os mesmos podem ou não serem provados em si mesmos.

Os primeiros princípios da lógica são os lógicos absolutos, que são chamados assim justamente por que são provados em si mesmos. Lógico absoluto é tudo aquilo que é verdadeiro por sua própria definição, como por exemplo o círculo. Uma vez definido o círculo, sendo uma linha curva regular, cujas pontas se encontram (minha definição), é possível dizer que o arco-íris não é um circulo:
-       o arco-íris é uma linha em curva regular;
-       as pontas do arco-íris não se encontram;
-       logo, o arco-íris não é um círculo.

Para mostrar por que o círculo é um lógico absoluto, basta utilizar a definição apresentada, traçar uma linha curva regular, cujas pontas se encontram, para resultar num circulo. O princípio da falseabilidade (refutabilidade) de Karl Popper, um dos princípio do método científico, está devidamente respeitado, pois basta traçar uma linha curva regular, cujas pontas se encontram, mas que NÃO resulte num círculo, para que a definição seja refutada.

Um mistificador poderia facilmente recorrer ao Pirronismo, alegando que não foram apresentadas as definições de linha, de curva ou de ponta. No entanto trata-se de outros lógicos absolutos, onde pressupõe-se que o interlocutor tenha conhecimento do que é uma linha, uma curva ou a ponta de uma linha. Desta forma, ficou demonstrado que todo e qualquer argumento, quando retrocedido sucessivamente, encontrará em algum momento uma sequência de lógicos absolutos que sustentam toda a lógica, sendo necessário retroceder mais ou menos, dependendo do conhecimento ou da ignorância do interlocutor.

Olavo de Carvalho afirma no vídeo, que é imperdoável para Richard Dawkins e Daniel Dennett (que se diz filósofo), não saber que o ônus da prova NÃO é de quem afirma. A falácia do Olavo de Carvalho não ficou limitada à inversão do ônus da prova, mas também apelou para a inversão de toda a lógica, onde de alguma forma, a lógica prova tudo com base em algo que não pode ser provado. A falha poderia ser considerada irrelevante para alguém sem preparo técnico, como diria o próprio Olavo, mas é imperdoável para o Olavo de Carvalho (que se diz filósofo).


O que é uma ciência

No mesmo vídeo onde Olavo de Carvalho inverte o princípio do ônus da prova, também explica para o interlocutor e demais ouvintes, o que é uma ciência: “ciência é o seguinte, você faz uma hipótese que um certo campo de fenômenos tem uma certa homogeneidade e que esta homogeneidade é definida por certas constantes, em seguida você vai investigar estas constantes. Isso quer dizer que em primeiro lugar, nenhuma ciência pode estudar uma realidade concreta, ciência só pode estudar recortes feitos hipoteticamente, tudo o que ela diz só vale dentro deste recorte feito hipoteticamente, nenhuma ciência pode dizer “A” sobre a realidade concreta, por que a realidade concreta não existe para a ciência”.

Olavo de Carvalho consegue mostrar uma enorme confusão mental, confundido a ciência propriamente dita com uma ramificação da ciência, chamada por ele de “uma ciência”. O simples fato de dizer que existe “uma ciência” sugere a existência de “outras ciências”, não deixando dúvidas sobre a incapacidade de entender que existe apenas UMA ciência com diversas ramificações, tornando-o completamente incompetente para pronunciar-se sobre qualquer questão científica.

Olavo consegue mostrar uma confusão mental muito maior, quando afirma que a ciência (uma ciência) não pode ser pronunciar sobre a realidade concreta. Por dedução óbvia, a bomba atômica, o desenvolvimento tecnológico e o descobrimento da cura de uma grande quantidade de doenças, não fazem parte da realidade concreta para o polêmico jornalista (que se diz filósofo).

O vídeo em questão refere-se à uma explicação sobre a existência de Deus, que o Olavo deu para um ouvinte do programa True Outspeak, chamado Tiago, que ligou para o Olavo durante a transmissão do programa. Além de explicar para o Tiago, que o ônus da prova não cabe a quem afirma, que a ciência (uma ciência) não pode se pronunciar sobre a realidade concreta, também explicou que Deus é transcendente, que Deus só pode existir como realidade concreta e que a existência de Deus é uma questão de ordem metafísica.

Ao afirmar que a investigação da existência de Deus é uma questão de ordem metafísica e que Deus só pode existir como realidade concreta, Olavo afirma implicitamente que a realidade concreta é uma questão de ordem metafísica. Sendo a metafísica a realidade concreta, uma questão de ordem física só poderia ser uma realidade abstrata, mas como o Olavo afirmou que a ciência (uma ciência) só pode se pronunciar sobre um “recorte feito hipoteticamente”, resta a possibilidade de existir (na mente do Olavo) uma realidade hipotética.

O fim da ciência moderna

Olavo de Carvalho participou do vídeo de divulgação do livro O Enigma Quântico, onde afirma que a época da modernidade científica está encerrada, não sobrevive aos exames feitos pelo autor do livro, não sobrevive à pesquisa histórica dos últimos trinta anos, que tem revelado uma imensidão de falsidades na história das origens e da constituição da ciência moderna.

Olavo citou uma carta de um cientista, que afirma que não existe a menor prova do sistema heliocêntrico, depois citou um suposto experimento realizado por dois cientistas, Michelson e Morley, descrito pelo Olavo da seguinte maneira: “se de fato a Terra se move em volta do Sol, então deve haver diferenças na velocidade da luz em vários pontos da Terra, conforme as várias estações do ano. Eles mediram isso milhares e milhares de vezes, e viram que não mudava nada, então das duas uma, ou a Terra não se move, ou é preciso modificar a física inteira. Então um cidadão chamado Albert Einstein viu isso e achou que era preferível modificar a física inteira, só para não admitir que não havia provas do heliocentrismo”.

Antes de qualquer comentário, é necessário esclarecer alguns detalhes sobre o experimento dos dois cientistas. O objetivo do experimento era verificar a existência do éter luminescente, que sofreria perturbações devido ao movimento da Terra ao redor do Sol, causando uma diferença nas medições da velocidade da luz em diferentes lugares do planeta. Os cientistas obtiveram diferentes medições e reivindicaram a comprovação da existência do éter. A comunidade científica entendeu que as diferenças nas medições não eram significativas o suficiente para demonstrar a existência de éter.

Também é necessário esclarecer que Albert Einstein não tinha a intenção de mudar toda a física (e não mudou), na verdade os resultados da Teoria da Relatividade contrariaram o desejo de Einstein, que era justamente compreender o cosmo através dos princípios newtonianos, mas descobriu que estes princípios não se aplicavam em situações astronômicas. A Teoria da Relatividade de Einstein sepultou definitivamente a hipótese da existência do éter.

Olavo de Carvalho deturpou o objetivo do experimento, as premissas do experimento e o resultado do experimento, utilizando sua própria falsificação para acusar a ciência de falsificações históricas e científicas. Não satisfeito com a nobreza da deturpação do experimento de  Michelson e Morley, Olavo acusa Einstein de modificar toda a física, apenas para não admitir que não havia provas do movimento da Terra em volta do Sol.

O movimento da Terra ao redor do Sol pode ser observado facilmente, bastando estar na Linha do Equador e observar as constelações nos solstícios e equinócios, sem necessitar sequer de um telescópio. Um ensaio de minha autoria está disponível no seguinte endereço:


O progresso da cultura

Olavo de Carvalho ministra um curso, com duração de cinco anos, chamado de Seminário de Filosofia. A introdução ao curso está disponível em um vídeo com uma hora e quarenta e cinco minutos, onde é possível identificar vários absurdos, mas comentar todos seria cansativo e desnecessário, pois se algo é absurdo em seus princípios, então todo o restante é absurdo por sua essência.

Mostrando uma suposta erudição, Olavo ensina que é possível progredir culturalmente, mas não é possível regredir, por que o tempo só vai para frente, nunca vai para trás, portanto regressão não pode ser o contrário de progresso, no entanto a cultura se deteriora. Olavo também ensina que progresso é uma unidade de medida que deve ser aplicada aos acontecimentos históricos, para saber aonde ele se realizou e aonde ele não se realizou, fazendo também uma relação entre progredir e melhorar.

É simplesmente impossível saber se o Olavo fala sobre cultura, sobre progresso ou sobre o tempo, tudo é usado conjuntamente para mostrar erudição, mas em nenhum momento algo é especificado, muito menos definido, não há qualquer definição que permita identificar se o tema trata da cultura de pepinos ou de abóboras. Para elucidar o “enigma olavético” é necessário analisar separadamente cada um dos temas entrelaçados pelo Olavo, tempo, progresso e cultura.

O tempo não progride, não regride e não se deteriora, é uma dimensão onde os eventos acontecem e que não interfere em nada. Quando não há mais tempo para alterar o placar de uma partida de futebol, o tempo não deixa de existir, o que deixa de existir é a partida de futebol, não há qualquer registro de que o tempo tenha feito ou evitado um gol. É necessário que haja tempo para que algo aconteça, seja como progresso ou como regresso, mas também é possível que algo permaneça estável (ou estagnado) durante algum tempo, mas não há relação de causa e efeito entre tempo e acontecimento, o tempo nada causa, apenas permite que aconteça.

O progresso é relativo, portanto não é possível falar em progresso de forma generalizada. O progresso na construção de uma casa não pode ser avaliado da mesma forma como o progresso no tratamento de uma doença. Um tumor pode progredir (aumentar de tamanho) durante algum tempo e regredir (diminuir de tamanho) depois de iniciado o tratamento, no entanto o tumor não melhorou (não se tornava um tumor melhor) enquanto progredia aumentando de tamanho, nem se deteriorava enquanto diminuía de tamanho.

Considerar o progresso uma unidade de medida, é tão descabido como considerar o espaço uma unidade de medida. Basta uma instrução mínima para entender que o espaço necessita de uma unidade de medida para ser medido, não é possível usar o espaço para medir alguma coisa, acontecendo o mesmo com o progresso. Seria realmente interessante se o Olavo de Carvalho nos dissesse quantos progressos media a cultura egípcia e quantos progressos media a cultura babilônica.

Cultura é um termo muito abrangente, podendo expressar costumes, expressões artísticas, crenças ou até mesmo quantidade de conhecimento. Olavo de Carvalho não especifica em que sentido a palavra cultura está sendo usada, trata   de todos os sentidos ao mesmo tempo para aparentar erudição.

Dizer que a cultura musical de uma sociedade progrediu com o aumento da quantidade de músicas, é equivocado por que a quantidade de músicas que são ouvidas por aquela sociedade não é necessariamente a mesma quantidade de músicas existentes. Também é equivocado dizer que foi progresso, quando o costume de ouvir um estilo de música foi substituído por outro, pois substituir é diferente de progredir.

Considerando a cultura como quantidade de conhecimentos, permite dizer que a cultura progride quando a quantidade aumenta e regride quando a quantidade diminui, para que a cultura se deteriore, é necessário que o conhecimento existente desapareça enquanto ainda é necessário.

O conhecimento sobre conduzir uma charrete foi substituído pelo conhecimento de como conduzir um automóvel, mas a cultura não deteriorou por que conduzir uma charrete tornou-se dispensável. Se o conhecimento sobre como conduzir o automóvel desaparecer neste momento, a cultura irá tanto se deteriorar como regredir, pois passará para um estágio cultural anterior ao estágio onde o conhecimento para conduzir o automóvel existia.

Olavo também ensina que não existe uma cultura atrasada em relação à outra, que atraso cultural não existe. Como não é especificado o sentido em que está sendo usado o termo cultura, nenhuma forma de avaliação pode ser feita. No exemplo da cultura musical, é impossível uma cultura estar ou não atrasada em relação à outra, elas podem ser apenas diferentes, mas quando considerada uma cultura medicinal, qualquer cultura que tenha alcançado uma quantidade menor de curas, estará atrasada em relação às outras que curam uma quantidade maior de doenças.

Como não existe uma unidade de medida que permita medir a confusão mental ou intelectual de alguém, fica difícil avaliar se no decorrer do Seminário de Filosofia a confusão progride, regride, se deteriora ou se está atrasada em relação ao objetivo desejado. Alguém com um pouco de compreensão da cultura atual, sabe que dizer que uma cultura está atrasada em relação à outra, é uma “força de expressão”, não é uma afirmação técnica, mas tudo indica que isso não será aprendido em cinco anos de Seminário de Filosofia.


A essência do método científico

Para encerrar esta série de artigos é indispensável abordar o ponto principal do
Seminário de Filosofia, que segundo o próprio Olavo de Carvalho é investigar a realidade, conhecer as coisas como efetivamente se passaram. O Olavo explica o que é realidade da seguinte forma: “Realidade é aquilo que todo mundo conhece, aquilo que já está dado para você no conjunto da sua experiência externa e interna, desde que você nasceu. A realidade é onde você vive, onde você se move, é onde você se alegra, chora, tem esperança, luta, tem vitórias e derrotas, isto é a realidade”.

Em nenhum momento foi mencionado se a realidade que será investigada no Seminário de Filosofia, é a realidade concreta, a realidade não concreta ou ambas as realidade, mas é mostrada a essência do método científico que será utilizado na investigação: “[...] imaginar as alternativas, imaginar as perspectivas possíveis, ir cruzando até que você encontre o limite da realidade, isto aí é a essência do método científico”.

Antes que alguém pergunte para que serve investigar a realidade, se a realidade é aquilo que todo mundo conhece, é aconselhável interpretar essa afirmação como “o conjunto dos conhecimentos de todo o mundo”, ou seja, não é algo conhecido por todos, mas a reunião de todos os conhecimentos. No entanto a investigação da realidade será a investigação de algo que já é conhecido por alguém em algum lugar.

A questão é: como saber se algo já é conhecido por alguém, para saber se faz parte da realidade e, portanto, pode ser investigado? Olavo de Carvalho estabelece um raciocínio circular, onde investigar a realidade é investigar aquilo que já está reconhecido como realidade, não é investigar algo para descobrir se é ou não é real. Substituindo a realidade por um cachorro, investigar o cachorro é investigar algo que já é reconhecido como cachorro, para então descobrir o que é um cachorro.

Felizmente o Olavo consegue romper barreiras e faz as estruturas da ciência modera estremecerem. Com um método científico capaz de investigar qualquer coisa de forma infalível, Olavo usa o imaginário para investigar a realidade. Aplicando o método do Olavo, investiga-se a realidade, com base naquilo que já é reconhecido como realidade, cruzando imaginários até que sejam limitados pela realidade, mostrando assim o que é realidade. Substituindo a realidade por um cachorro... deixa pra lá.


Pablo Capilé (que não se diz filósofo) costuma tratar tudo como uma questão de dissertativa, mas não afirma que tudo é uma questão de dissertativa. Olavo de Carvalho (que se diz filósofo) afirma que a essência do método científico é imaginar alternativas e perspectivas, portanto afirma que tudo é uma questão de imaginação. Qual é a diferença entre afirmar que tudo é questão de dissertativa ou tudo é questão de imaginação? Qual é a diferença entre a filosofia do Olavo de Carvalho e a filosofia do Pablo Capilé?